Trauma Toracoabdominal: Manejo do Choque Hemorrágico (ATLS)

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 21a, vítima de ferimento por projétil de arma de fogo em região toracoabdominal, é trazido ao hospital terciário por familiares. Exame físico: escala de coma de Glasgow=8; pupilas isofotorreagentes; PA=69x41mmHg; FC=142bpm; FR=24irpm; presença de orifício de entrada no 11° espaço intercostal na linha axilar anterior direita e orifício de saída no mesmo nível na região paravertebral direita. Restante sem alterações. Foram realizados: obtenção de via aérea definitiva e administração de 1.000mL de solução de Ringer com lactato aquecido. CONFORME O ATLS 10ª. EDIÇÃO A CONDUTA A SEGUIR É:

Alternativas

  1. A) Toracotomia de reanimação.
  2. B) Laparotomia exploradora.
  3. C) Protocolo de transfusão maciça.
  4. D) Administrar droga vasoativa.

Pérola Clínica

Trauma toracoabdominal com choque grave (PA 69x41, FC 142) e Glasgow 8 → priorizar controle da hemorragia e transfusão maciça conforme ATLS.

Resumo-Chave

Em trauma grave com choque hipovolêmico e instabilidade hemodinâmica persistente após ressuscitação inicial com fluidos, a ativação do protocolo de transfusão maciça é prioritária para corrigir a coagulopatia e a acidose, buscando estabilizar o paciente antes de intervenções cirúrgicas definitivas.

Contexto Educacional

O trauma toracoabdominal é uma emergência médica grave, frequentemente associada a ferimentos por projétil de arma de fogo, que pode levar rapidamente ao choque hipovolêmico devido à hemorragia interna. A abordagem inicial desses pacientes segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), que prioriza a avaliação e o manejo sequencial da via aérea, respiração, circulação, disfunção neurológica e exposição. A instabilidade hemodinâmica, como a apresentada no caso (PA 69x41mmHg, FC 142bpm), é um sinal crítico de choque hemorrágico. A ressuscitação volêmica inicial com cristaloides aquecidos é fundamental, mas em casos de choque grave e persistente, a ativação precoce do protocolo de transfusão maciça é imperativa. Este protocolo visa repor rapidamente os componentes sanguíneos (hemácias, plasma, plaquetas) em proporções balanceadas para combater a tríade letal do trauma (acidose, hipotermia e coagulopatia), que agrava o sangramento e o prognóstico. A decisão de realizar toracotomia de reanimação ou laparotomia exploradora é guiada pela resposta à ressuscitação e pela localização da lesão, mas a estabilização hemodinâmica é a prioridade inicial. Para residentes, a compreensão e aplicação dos algoritmos do ATLS são vitais. Reconhecer os sinais de choque, iniciar a ressuscitação adequada e saber quando escalar para intervenções mais avançadas, como a transfusão maciça, são competências essenciais para otimizar os resultados em pacientes com trauma grave. A rápida identificação e tratamento da hemorragia são os pilares para a sobrevida desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque hipovolêmico grave em um paciente traumatizado?

Sinais de choque hipovolêmico grave incluem hipotensão (PA < 90 mmHg), taquicardia (> 120 bpm), taquipneia, alteração do nível de consciência (Glasgow baixo), palidez, sudorese e tempo de enchimento capilar prolongado.

Quando o protocolo de transfusão maciça deve ser ativado no trauma?

O protocolo de transfusão maciça deve ser ativado precocemente em pacientes com choque hemorrágico grave e instabilidade hemodinâmica persistente, especialmente após a infusão inicial de cristaloides, ou na presença de escore de risco para transfusão maciça elevado (ex: ABC score ≥ 2).

Qual a importância da obtenção de via aérea definitiva em um paciente com trauma e Glasgow 8?

Um Glasgow de 8 ou menos indica comprometimento significativo do nível de consciência, aumentando o risco de obstrução de via aérea e aspiração. A obtenção de via aérea definitiva (intubação orotraqueal) é crucial para proteger a via aérea e garantir oxigenação e ventilação adequadas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo