UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2022
Paciente JBC, sexo masculino, 25 anos, foi admitido na sala de trauma em um hospital de referência, em razão de uma lesão penetrante por arma branca entre o 9º e o 10º arco costal à esquerda. Ao exame físico, o paciente apresentava: frequência cardíaca (FC) de 110bpm; PA de 110x80mmHg; murmúrio vesicular reduzido na base do hemitórax esquerdo; abdome flácido, sem sinais de reação peritoneal. Foi realizada a USG focada na avaliação do trauma estendida (em inglês, extended focused assessment sonography in trauma [E-FAST]), que revelou presença de hemopneumotórax à esquerda e ausência de líquido livre na cavidade abdominal. Sobre o próximo passo a ser dado para este paciente, assinale a alternativa incorreta:
Trauma toracoabdominal + hemopneumotórax → Drenagem torácica é prioridade antes de TC, se paciente instável ou com comprometimento respiratório.
Em um paciente com trauma toracoabdominal e hemopneumotórax, a drenagem torácica é uma medida terapêutica e diagnóstica crucial que deve ser realizada prontamente para estabilizar o paciente, especialmente se houver comprometimento respiratório ou hemodinâmico, antes de prosseguir com exames de imagem mais complexos como a TC.
O trauma toracoabdominal é um desafio clínico devido à proximidade de órgãos vitais do tórax e abdome, e a lesão penetrante nessa região pode causar danos em ambos os compartimentos. A avaliação inicial segue os preceitos do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização do paciente (ABCDE). O E-FAST (Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta rápida e eficaz para identificar hemotórax, pneumotórax e líquido livre na cavidade abdominal. No caso de um paciente com FAB na transição toracoabdominal e hemopneumotórax, a drenagem torácica é uma medida terapêutica e diagnóstica de emergência. Ela deve ser realizada prontamente para aliviar o comprometimento respiratório e hemodinâmico, antes de exames de imagem mais demorados. A estabilização do paciente é a prioridade, e a TC de tórax e abdome, embora importante para o detalhamento das lesões, deve ser realizada apenas em pacientes estáveis e após a resolução de condições de risco de vida imediato. A suspeita de lesão diafragmática é alta em FAB nessa região. A TC pode ajudar, mas a laparoscopia diagnóstica é frequentemente indicada para confirmar ou excluir lesões diafragmáticas e de órgãos abdominais, especialmente quando há dúvida diagnóstica ou quando a drenagem torácica não resolve completamente o quadro. A conduta cirúrgica (laparotomia ou toracotomia) será definida com base na estabilidade do paciente e nas lesões identificadas.
A drenagem torácica é fundamental para remover o sangue e o ar da cavidade pleural, permitindo a reexpansão pulmonar, melhorando a ventilação e aliviando a compressão sobre o coração e grandes vasos, o que estabiliza o paciente hemodinamicamente e respiratoriamente.
A TC é indicada após a estabilização do paciente, para detalhar lesões e planejar a conduta definitiva, especialmente para descartar lesões diafragmáticas, de órgãos abdominais ou outras lesões torácicas que não foram completamente avaliadas pelo E-FAST.
A lesão diafragmática deve ser suspeitada em lesões penetrantes na transição toracoabdominal (entre o 4º espaço intercostal e a linha umbilical), especialmente se houver achados inconclusivos em exames de imagem ou sinais de hérnia de vísceras abdominais para o tórax.
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