Trauma Tóraco-Abdominal: Manejo do Paciente Instável

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015

Enunciado

Paciente, com relato de trauma torácico por arma branca (punhal) na base do hemitórax esquerdo há uma hora, apresenta-se com palidez cutânea, mucosas descoradas, traquidispneia, taquicardia, hipotensão arterial, redução acentuada do murmúrio vesicular em hemitórax esquerdo com timpanismo difuso e murmúrio vesicular abolido homolateral, bem como dor abdominal e sinais de irritação peritoneal difusa. Assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Os sinais de irritação peritoneal denotam um provável envolvimento de vísceras abdominais e sugerem a necessidade de intervenção laparotômica para controle de possível foco hemorrágico ou mesmo lesão de víscera oca.
  2. B) Os ferimentos na região de transição tóraco-abdominal à esquerda constituem fator de risco para o surgimento de hérnia diafragmática traumática quando há comprometimento (lesão) diafragmático pelo trauma.
  3. C) Nesse cenário de choque descrito, comumente, as lesões no hilo esplênico com comprometimento da artéria e/ou veia esplênica são tratadas com esplenectomia para controle do foco hemorrágico.
  4. D) A descrição do caso sugere a presença de choque de etiologia mista, provavelmente hemorrágico associado a pneumotórax hipertensivo. 
  5. E) Em função do ferimento na região de transição tóraco-abdominal, o paciente pode apresentar lesões torácicas e abdominais simultâneas, a realização de tomografia computadorizada de tórax e abdome é essencial para definição da abordagem e tratamento inicial e definitivo, dessa forma o paciente deve ser encaminhado imediatamente para setor de radiologia após garantia da via aérea e acesso venoso periférico para administração de fluidos. 

Pérola Clínica

Paciente instável com trauma tóraco-abdominal → priorizar estabilização e intervenção cirúrgica, NÃO TC imediata.

Resumo-Chave

Em paciente com trauma tóraco-abdominal e instabilidade hemodinâmica (choque), a prioridade é a estabilização e intervenção cirúrgica (laparotomia/toracotomia) para controle do sangramento, e não o transporte para exames de imagem demorados como a TC.

Contexto Educacional

O trauma tóraco-abdominal é uma condição grave que exige avaliação e manejo rápidos, especialmente em pacientes hemodinamicamente instáveis. A região tóraco-abdominal é definida entre o quarto espaço intercostal anteriormente (mamilo), o sétimo espaço intercostal posteriormente (escápula) e a margem costal inferior. Ferimentos nesta área podem penetrar tanto a cavidade torácica quanto a abdominal, resultando em lesões combinadas e complexas. A importância clínica reside na alta morbimortalidade associada e na necessidade de um protocolo de atendimento bem estabelecido, como o ATLS (Advanced Trauma Life Support). A fisiopatologia do choque neste cenário é frequentemente mista, combinando choque hemorrágico (por lesão de grandes vasos, baço, fígado ou pulmão) com choque obstrutivo (por pneumotórax hipertensivo ou tamponamento cardíaco). Os sinais e sintomas apresentados (palidez, taquicardia, hipotensão, taquidispneia, murmúrio vesicular abolido com timpanismo, irritação peritoneal) são altamente sugestivos de choque grave e lesões torácicas e abdominais concomitantes, como pneumotórax hipertensivo e hemorragia intra-abdominal. A lesão diafragmática é uma preocupação particular em ferimentos penetrantes na transição tóraco-abdominal, podendo levar à herniação de vísceras abdominais para o tórax. O tratamento inicial em pacientes instáveis segue os princípios do ATLS: avaliação primária (ABCDE), ressuscitação volêmica agressiva e identificação e tratamento imediato de lesões com risco de vida. No caso descrito, a descompressão do pneumotórax hipertensivo (se presente) e a intervenção cirúrgica (laparotomia exploradora e/ou toracotomia) para controle do sangramento e reparo de lesões são prioritárias. A realização de tomografia computadorizada (TC) é contraindicada em pacientes hemodinamicamente instáveis, pois atrasa a intervenção salvadora. A TC é reservada para pacientes estáveis que necessitam de uma avaliação mais detalhada das lesões.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de choque em um paciente com trauma?

Os sinais de choque incluem taquicardia, hipotensão arterial, taquipneia, palidez cutânea, mucosas descoradas, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência. A presença desses sinais indica a necessidade de intervenção imediata.

Por que a tomografia computadorizada não é a primeira medida em um paciente instável com trauma?

Em pacientes hemodinamicamente instáveis, o tempo é crucial. A TC é um exame demorado que exige o transporte do paciente para fora da sala de emergência, atrasando a ressuscitação e a intervenção cirúrgica necessária para controlar a fonte do sangramento ou outras lesões com risco de vida.

Quais são as lesões mais comuns em trauma tóraco-abdominal esquerdo?

Ferimentos na base do hemitórax esquerdo podem lesar o diafragma, pulmão, baço, estômago, cólon e rim esquerdo. O baço é um órgão frequentemente lesado, podendo causar hemorragia significativa. A lesão diafragmaticá é uma preocupação importante.

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