Trauma Torácico Penetrante: Indicação de Videotoracoscopia

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 33 anos, encaminhado pelo SAMU ao Hospital de Urgência de Teresina, vítima há 1 hora de ferimento por arma branca em hemitórax esquerdo na linha axilar anterior e sexto espaço intercostal. Ao exame físico apresentou:I. Vias aéreas pérvias e colar cervical bem locado;II. Murmúrio vesicular presente porém assimétrico com redução a esquerda;III. FC 104 bpm; PA 140 x 80 mmHg;IV. ECG 15, ausência de déficits sensitivos e motores focais;V. Ferimento por arma branca sem sinais de escape aéreo e sem sinais de sangramento ativo na topografia descrita. Foi submetido à drenagem de tórax à esquerda com saída de 450 ml de sangue, sem débito posterior à drenagem. Manteve-se estável hemodinamicamente, após o procedimento.A conduta mais indicada agora é:

Alternativas

  1. A) Videotoracoscopia.
  2. B) Observação clínica.
  3. C) Laparotomia exploradora.
  4. D) Realização de TC de abdome para melhor avaliação de lesão diafragmática.
  5. E) Toracotomia esquerda.

Pérola Clínica

Trauma torácico penetrante, estável, drenagem inicial <1500ml, sem débito posterior → considerar videotoracoscopia para hemotórax residual ou lesão diafragmática.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma torácico penetrante que permanecem hemodinamicamente estáveis após drenagem de tórax com volume moderado de sangramento e sem débito posterior, a videotoracoscopia é uma conduta indicada. Ela permite explorar a cavidade torácica, identificar e tratar lesões diafragmáticas ou pulmonares menores, e remover coágulos, evitando toracotomia desnecessária.

Contexto Educacional

O trauma torácico penetrante é uma emergência médica que exige avaliação rápida e conduta precisa. A abordagem inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), focando na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. Após a estabilização, a identificação e manejo de lesões específicas tornam-se prioritárias. No caso apresentado, o paciente está hemodinamicamente estável após a drenagem de um hemotórax com volume moderado (450 ml) e sem débito posterior. Essa estabilidade é um fator crucial para a escolha da conduta. A videotoracoscopia (VATS) surge como uma opção diagnóstica e terapêutica minimamente invasiva. Ela permite a exploração da cavidade torácica para identificar lesões que podem não ter sido evidentes inicialmente, como pequenas lesões pulmonares, lesões diafragmáticas (especialmente em ferimentos na região toracoabdominal), ou a presença de coágulos residuais que podem levar a empiema ou fibrotórax. A videotoracoscopia oferece vantagens sobre a toracotomia aberta, como menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e recuperação mais rápida, sendo a conduta mais indicada para pacientes estáveis com hemotórax residual ou suspeita de lesões ocultas. A observação clínica sem exploração pode ser perigosa, especialmente pela possibilidade de lesão diafragmática que pode se manifestar tardiamente. A toracotomia seria reservada para casos de instabilidade hemodinâmica persistente ou sangramento maciço contínuo.

Perguntas Frequentes

Quando a videotoracoscopia é indicada em trauma torácico?

A videotoracoscopia (VATS) é indicada em pacientes com trauma torácico penetrante hemodinamicamente estáveis, especialmente na presença de hemotórax residual, lesão diafragmática suspeita, pneumotórax persistente ou para remoção de corpos estranhos. É uma alternativa menos invasiva à toracotomia.

Quais são os critérios para indicação de toracotomia de urgência em trauma torácico?

A toracotomia de urgência é indicada em pacientes com trauma torácico que apresentam instabilidade hemodinâmica persistente, sangramento maciço (>1500 ml inicial ou >200 ml/hora por 2-4 horas após drenagem), lesão traqueobrônquica grave, lesão cardíaca ou grandes vasos, ou tamponamento cardíaco não responsivo à pericardiocentese.

Por que a lesão diafragmática é uma preocupação em ferimentos toracoabdominais?

Lesões diafragmáticas em ferimentos toracoabdominais (abaixo da linha mamilar) são perigosas porque podem ser assintomáticas inicialmente e levar à herniação de órgãos abdominais para o tórax, causando insuficiência respiratória, estrangulamento de vísceras e infecção. A videotoracoscopia ou laparoscopia permite o diagnóstico e reparo.

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