SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Homem de 27 anos, vítima de ferimento por fuzil, no tórax, é submetido a drenagem torácica na emergência. O conteúdo é predominantemente hemático, cerca de 900ml, e ainda espumoso com aspecto salivar. O paciente está hipotenso, após hidratação e transfusão. Qual a conduta nesse caso?
Trauma torácico penetrante + hemotórax maciço (>1500ml ou >200ml/h) + instabilidade hemodinâmica → Toracotomia de urgência.
A presença de grande volume de sangue no dreno torácico (>1500ml inicial ou >200ml/h por 2-4h) associada à instabilidade hemodinâmica após ressuscitação volêmica é indicação absoluta de toracotomia de urgência. O aspecto salivar sugere lesão de via aérea ou esôfago, que também demandam exploração cirúrgica.
O trauma torácico penetrante é uma emergência médica grave que pode levar rapidamente à morte se não for diagnosticado e tratado adequadamente. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS, focando na estabilização da via aérea, respiração e circulação. A presença de hemotórax maciço, definido por uma drenagem inicial de mais de 1500 mL de sangue ou uma perda contínua de mais de 200 mL/hora por 2-4 horas, é uma indicação crítica para toracotomia de urgência. A fisiopatologia do choque hipovolêmico em trauma torácico está relacionada à perda sanguínea maciça para a cavidade pleural, comprometendo o retorno venoso e a função cardíaca. A persistência da hipotensão após ressuscitação volêmica adequada, juntamente com a drenagem contínua de sangue, sinaliza uma hemorragia ativa que não pode ser controlada por medidas conservadoras. Além do hemotórax, o aspecto salivar do conteúdo drenado é um achado alarmante, sugerindo lesão do esôfago ou da árvore traqueobrônquica, que são lesões complexas e potencialmente fatais. O tratamento definitivo para essas condições é a exploração cirúrgica imediata através de toracotomia, visando controlar a hemorragia, reparar as lesões e prevenir complicações como infecção e insuficiência respiratória. A decisão rápida pela cirurgia é vital para a sobrevida do paciente.
As principais indicações incluem hemotórax maciço (drenagem inicial >1500mL ou >200mL/h por 2-4h), lesão cardíaca suspeita, lesão de grandes vasos, fístula broncopleural persistente e lesões traqueobrônquicas ou esofágicas.
O aspecto salivar no dreno torácico é um sinal de alerta para lesão do esôfago ou da árvore traqueobrônquica. Essas lesões podem levar a mediastinite ou fístulas, exigindo intervenção cirúrgica imediata.
O manejo inicial do choque hipovolêmico envolve controle da via aérea, ventilação e circulação (ABC). A reposição volêmica com cristaloides e hemoderivados é fundamental, mas a persistência da hipotensão com hemotórax maciço indica necessidade de controle cirúrgico da hemorragia.
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