HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
Um paciente de 25 anos de idade foi levado ao pronto-socorro após ter sido vítima de ferimento por arma branca no sexto espaço intercostal, linha axilar anterior. Encontra-se agitado, dispneico ++/4+, com pulso de 125 bpm e PA de 70 x 40 mmHg. Apresenta murmúrio vesicular diminuído nos 2/3 inferiores do hemitórax direito. Abdome plano, flácido e indolor à palpação.Com base nesse caso hipotético, julgue o item.A radiografia de tórax é um exame fundamental durante a avaliação inicial do paciente.
Instabilidade hemodinâmica no trauma torácico → diagnóstico clínico e conduta imediata, sem RX.
Em pacientes com sinais de choque e insuficiência respiratória após trauma torácico, a propedêutica armada (RX) é contraindicada por retardar manobras salvadoras de vida.
O manejo de pacientes traumatizados segue rigidamente a sistematização do ATLS. Em casos de ferimentos penetrantes no tórax acompanhados de sinais de choque (PA 70x40 mmHg) e insuficiência respiratória, o diagnóstico de entidades como pneumotórax hipertensivo, hemotórax maciço ou tamponamento cardíaco deve ser clínico. A realização de exames de imagem que exijam o deslocamento do paciente ou que consumam tempo precioso na sala de emergência é considerada um erro grave. A fisiopatologia do choque no trauma torácico pode ser hemorrágica (perda volêmica por hemotórax) ou obstrutiva (compressão das veias cavas e do coração). O tratamento deve focar na descompressão do espaço pleural ou pericárdico e na drenagem torácica. A radiografia só ganha papel fundamental após a estabilização do paciente ou para controle pós-procedimento, nunca como pré-requisito para a intervenção em vigência de instabilidade hemodinâmica severa.
A radiografia de tórax é indicada apenas em pacientes hemodinamicamente estáveis durante a avaliação secundária ou como adjunto da avaliação primária se não houver sinais de pneumotórax hipertensivo ou hemotórax maciço que exijam intervenção imediata. No paciente instável, o diagnóstico deve ser clínico ou auxiliado pelo e-FAST (Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma) à beira do leito, permitindo intervenções rápidas como a toracostomia com drenagem em selo d'água ou descompressão por agulha.
A tríade clássica inclui hipotensão (choque obstrutivo), ausência ou diminuição unilateral do murmúrio vesicular e desvio da traqueia para o lado contralateral (sinal tardio). Outros achados comuns são a turgência jugular e o timpanismo à percussão. O reconhecimento desses sinais em um paciente vítima de ferimento por arma branca no tórax exige descompressão imediata antes de qualquer exame de imagem, visando restaurar o retorno venoso e o débito cardíaco.
Ferimentos no sexto espaço intercostal (como no caso) estão na zona de transição toracoabdominal. O cirurgião deve suspeitar de lesões tanto em órgãos intratorácicos (pulmão, coração, grandes vasos) quanto intra-abdominais (fígado, baço, diafragma). Se o paciente está instável, a prioridade é o controle do 'A' e 'B' (vias aéreas e respiração) e a reposição volêmica/controle de hemorragia no 'C'. O RX de tórax atrasaria o tratamento de um possível tamponamento cardíaco ou pneumotórax hipertensivo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo