Trauma Torácico Penetrante: Faca In Situ e Conduta

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 64 anos de idade, tentou suicídio com ferimento por arma branca no tórax. No atendimento inicial, o paciente encontrava-se com a faca introduzida na parede anterior do tórax, bastante agitado e com PA de 140x90 mmHg e FC de 110 bpm. Devido à agitação, optou-se pela intubação para transporte. Na admissão no Centro de Trauma encontrava-se:A: Intubado. Saturação de oxigênio de 97%.B: MV presentes e sem alterações. Inspeção torácica demonstrada na figura a seguir.C: PA de 130x80 mmHg; FC de 110 bpm; e-FAST negativo.D: Sedado com pupilas mióticas. Escala de coma de Glasgow 3.E: Sem outros achados além da lesão torácica.Assinale a alternativa que indica o próximo passo a ser realizado na condução do caso.

Alternativas

  1. A) Retirada da faca.
  2. B) Tomografia de tórax.
  3. C) Toracotomia esquerda.
  4. D) Janela pericárdica.

Pérola Clínica

Em ferimento penetrante de tórax com faca in situ e paciente estável, a TC de tórax é o próximo passo para avaliar a extensão da lesão.

Resumo-Chave

Em um paciente com ferimento penetrante por arma branca no tórax, com o objeto ainda in situ e hemodinamicamente estável após a estabilização inicial, a tomografia de tórax é o exame de escolha. Ela permite uma avaliação detalhada da trajetória da lesão, identificando possíveis danos a estruturas intratorácicas (coração, grandes vasos, pulmões, esôfago) antes de qualquer intervenção, como a remoção do objeto.

Contexto Educacional

O manejo do trauma torácico penetrante, especialmente com objeto in situ, é uma situação de emergência que exige uma abordagem sistemática e cuidadosa para evitar complicações catastróficas. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), focando na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. A presença de um objeto penetrante, como uma faca, no tórax, impõe uma conduta específica: o objeto não deve ser removido no local ou no pronto-socorro antes de uma avaliação completa da extensão da lesão. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, após a estabilização inicial (incluindo intubação se necessário para controle de vias aéreas e agitação), o próximo passo crucial é a realização de exames de imagem detalhados. A tomografia de tórax é o exame de escolha, pois oferece uma visão tridimensional da trajetória do objeto e permite identificar lesões em órgãos vitais como coração, grandes vasos, pulmões, esôfago e diafragma. Essa informação é indispensável para o planejamento cirúrgico, que deve ser realizado em ambiente controlado, com equipe cirúrgica preparada para a remoção do objeto e reparo das lesões. Para residentes, é fundamental compreender que a remoção precipitada do objeto pode transformar uma lesão estável em uma emergência com risco de vida, causando sangramento incontrolável ou tamponamento cardíaco. A janela pericárdica ou a toracotomia de emergência são procedimentos invasivos reservados para pacientes instáveis ou com evidência clara de tamponamento cardíaco ou lesão de grandes vasos, respectivamente. A conduta em trauma torácico penetrante com objeto in situ é um exemplo clássico de como a avaliação diagnóstica por imagem precede a intervenção terapêutica definitiva em pacientes estáveis.

Perguntas Frequentes

Qual a importância de não remover o objeto penetrante em um trauma torácico?

A remoção do objeto penetrante (como uma faca) antes de uma avaliação controlada pode ser fatal. O objeto pode estar tamponando uma lesão vascular ou cardíaca, e sua retirada pode levar a hemorragia maciça, pneumotórax hipertensivo ou tamponamento cardíaco agudo, instabilizando o paciente.

Quando a tomografia de tórax é indicada em ferimentos penetrantes?

A tomografia de tórax é indicada em pacientes com ferimentos penetrantes hemodinamicamente estáveis, especialmente com objetos in situ. Ela fornece detalhes sobre a trajetória da lesão, a profundidade da penetração e o envolvimento de estruturas vitais, como coração, grandes vasos, pulmões e diafragma, guiando a conduta cirúrgica.

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em trauma torácico que indicam toracotomia imediata?

Sinais de instabilidade hemodinâmica que indicam toracotomia imediata incluem choque refratário a fluidos, sangramento maciço contínuo pelo dreno de tórax (>1500 mL inicial ou >200 mL/h por 2-4h), tamponamento cardíaco refratário à pericardiocentese, ou lesão traqueobrônquica grave com comprometimento respiratório.

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