Trauma Múltiplo: Manejo Inicial e Prioridades no ATLS

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 29 anos, vítima de dois ferimentos por projétil de arma de fogo. Um deles com entrada em 8º espaço intercostal anterior à direita na linha hemiclavicular e saída em 7º espaço intercostal posterior também à direita. O outro em crânio, sem orifício de saída. Na avaliação inicial da chegada na emergência apresenta PA 80/50 mmHg, FC 115 bpm, FR 26 mrpm e Glasgow de 4. Saturação de O2 de 95%. Ao exame do tórax apresenta diminuição do murmúrio vesicular à direita e maciez à percussão na base do mesmo lado. Não apresenta dor à palpação abdominal. Em relação ao caso, afirma-se: I. A intubação endotraqueal não está indicada na avaliação inicial e reanimação, pois o paciente apresenta boa saturação e existe o risco de pneumotórax hipertensivo. II. A realização de toracocentese com agulha para descompressão torácica à direita é necessária. III. A presença de choque pode ser decorrente de sangramento abdominal. Está/Estão correta(as) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I
  2. B) III
  3. C) I e II
  4. D) II e III

Pérola Clínica

Glasgow 4 + Choque = IOT imediata e investigação de sangramento oculto, mesmo sem dor abdominal.

Resumo-Chave

Paciente com Glasgow 4 tem indicação formal de intubação orotraqueal para proteção de via aérea, independentemente da saturação. A diminuição do murmúrio e macicez à percussão sugerem hemotórax, mas a toracocentese com agulha é para pneumotórax hipertensivo, não para hemotórax. O choque pode ter múltiplas causas, incluindo sangramento abdominal, mesmo sem dor evidente.

Contexto Educacional

O manejo do paciente traumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), priorizando a avaliação e tratamento das lesões que ameaçam a vida. A avaliação inicial (ABCDE) é crucial. Neste caso, o paciente apresenta um Glasgow de 4, o que é uma indicação formal de intubação orotraqueal para proteção da via aérea, independentemente da saturação de oxigênio. A saturação de 95% não exclui a necessidade de intubação, pois o risco de aspiração e a incapacidade de manter a via aérea pérvia são altos. O exame do tórax revela diminuição do murmúrio vesicular e macicez à percussão à direita, achados compatíveis com hemotórax. A toracocentese com agulha é indicada para descompressão de pneumotórax hipertensivo, que se manifesta com hipertimpanismo e desvio de traqueia, não sendo o procedimento correto para hemotórax, que requer drenagem torácica. A presença de choque (PA 80/50 mmHg, FC 115 bpm) em um paciente com ferimentos por arma de fogo deve levantar a suspeita de sangramento significativo. Embora não haja dor abdominal à palpação, o trauma penetrante no tórax inferior pode atingir órgãos abdominais (lesões toracoabdominais), e o sangramento abdominal pode ser uma causa importante de choque hipovolêmico, mesmo na ausência de sinais abdominais evidentes inicialmente. Portanto, a investigação de sangramento oculto, incluindo FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) ou lavagem peritoneal diagnóstica, seria apropriada.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a intubação orotraqueal em um paciente traumatizado com Glasgow baixo?

A intubação orotraqueal é indicada em pacientes com Escala de Coma de Glasgow (ECG) menor ou igual a 8 para proteção de via aérea e controle ventilatório, prevenindo aspiração e garantindo oxigenação e ventilação adequadas.

Como diferenciar hemotórax de pneumotórax no exame físico?

O hemotórax geralmente apresenta diminuição do murmúrio vesicular e macicez à percussão. O pneumotórax, por sua vez, cursa com diminuição do murmúrio vesicular e hipertimpanismo à percussão.

Quais são as principais causas de choque em um paciente com trauma penetrante?

As principais causas de choque em trauma penetrante são hipovolemia (por sangramento), choque obstrutivo (tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo) e, menos comum inicialmente, choque neurogênico ou séptico.

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