Manejo do Trauma de Reto Extraperitoneal por Empalamento

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

No trauma de reto extraperitoneal extenso por empalamento em um paciente hemodinamicamente estável, a melhor conduta cirúrgica no atendimento de urgência é:

Alternativas

  1. A) Colostomia.
  2. B) Exploração via anal com rafia primária.
  3. C) Exaustiva lavagem do reto e drenagem pré-sacral.
  4. D) Exploração abdominal e rafia primária
  5. E) Retossigoidectomia com anastomose primaria.

Pérola Clínica

Trauma de reto extraperitoneal extenso → Colostomia de derivação (derivação fecal).

Resumo-Chave

No trauma retal extraperitoneal grave, a prioridade é o desvio do trânsito fecal para prevenir sepse pélvica e facilitar a cicatrização, independentemente da estabilidade hemodinâmica.

Contexto Educacional

O trauma retal por empalamento frequentemente envolve mecanismos de alta energia ou objetos empalados que causam lacerações extensas e contaminação profunda. A estabilidade hemodinâmica permite uma abordagem sistemática, mas a complexidade da anatomia pélvica torna a rafia primária do reto extraperitoneal tecnicamente desafiadora e arriscada. A colostomia protege o paciente de complicações infecciosas graves que ocorrem quando as fezes extravasam para os espaços fasciais da pelve.

Perguntas Frequentes

Por que a colostomia é preferida no trauma extraperitoneal?

A colostomia de derivação (geralmente em alça ou tipo Hartmann) é o padrão-ouro para lesões extraperitoneais extensas porque o reto extraperitoneal é de difícil acesso cirúrgico para rafia primária segura e não possui serosa, o que predispõe a deiscências. A derivação fecal impede a contaminação contínua do espaço perirretal e pré-sacral, reduzindo drasticamente a incidência de sepse pélvica e fasciíte necrotizante, complicações temidas nesse tipo de trauma.

Ainda se recomenda lavagem distal e drenagem pré-sacral?

Historicamente, o tratamento do trauma retal baseava-se nos '4 Ds': Desbridamento, Derivação, Drenagem pré-sacral e Distal washout (lavagem). No entanto, estudos recentes e diretrizes como as da AAST e WSES mostram que a lavagem distal e a drenagem pré-sacral não reduzem a taxa de infecção e podem ser omitidas. A derivação fecal (colostomia) continua sendo o componente mais crítico para lesões complexas ou extensas.

Qual a diferença de conduta entre reto intra e extraperitoneal?

Lesões do reto intraperitoneal são tratadas de forma semelhante às lesões de cólon: em pacientes estáveis e sem contaminação grosseira, a rafia primária ou ressecção com anastomose primária é preferível. Já no reto extraperitoneal, devido à localização anatômica e dificuldade técnica de sutura, a derivação fecal (colostomia) é a conduta mais segura para evitar complicações infecciosas retroperitoneais.

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