UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022
Paciente com histórico de trauma retal. Podemos considerar como incorreta a afirmação:
Trauma retal por empalamento: objeto é evidência médico-legal, NUNCA deve ser devolvido ao paciente/familiares.
A devolução de um objeto usado em um empalamento retal ao paciente ou familiares é uma conduta incorreta, pois o objeto é uma evidência médico-legal importante e deve ser manuseado e documentado adequadamente pelas autoridades, seguindo os protocolos de cadeia de custódia.
O trauma retal é uma condição grave que pode resultar de diversas etiologias, como empalamento, ferimentos por arma de fogo ou acidentes. A abordagem diagnóstica e terapêutica depende da localização (intraperitoneal ou extraperitoneal), extensão e mecanismo da lesão, exigindo uma avaliação cuidadosa e um plano de tratamento individualizado. Lesões retais intraperitoneais são tratadas de forma semelhante às lesões colônicas, frequentemente com reparo primário. Já as lesões extraperitoneais, especialmente as distais e complexas (como as tipo IV por empalamento), exigem uma abordagem mais agressiva, que pode incluir desbridamento, sutura, lavagem retal, drenagem e, muitas vezes, uma colostomia de desvio (sigmoidostomia em alça) para proteger o reparo e evitar complicações infecciosas graves. Ferimentos por arma de fogo na região glútea sempre demandam investigação completa devido ao alto risco de lesão retal oculta, mesmo sem sinais evidentes. Além dos aspectos clínicos, é fundamental que residentes compreendam os aspectos médico-legais do trauma. Em casos de empalamento, o objeto é uma evidência crucial para a investigação policial e não deve ser devolvido ao paciente ou familiares, mas sim entregue às autoridades competentes, seguindo a cadeia de custódia. A documentação detalhada e a preservação da evidência são responsabilidades do profissional de saúde. Exames como retossigmoidoscopia e tomografia com contraste retal são valiosos para o diagnóstico e planejamento cirúrgico.
Lesões retais intraperitoneais são tratadas como lesões colônicas, frequentemente com sutura primária. Lesões extraperitoneais, especialmente as distais e complexas, podem exigir desbridamento, sutura, lavagem retal, drenagem e, em muitos casos, colostomia de desvio (sigmoidostomia) e antibioticoterapia.
Ferimentos por arma de fogo na região glútea têm alto risco de lesão retal, mesmo na ausência de sangramento retal visível, devido à proximidade anatômica. A investigação completa é crucial para identificar e tratar lesões ocultas e prevenir complicações graves.
A retossigmoidoscopia (rígida ou flexível) é essencial para visualizar a lesão. A tomografia computadorizada com contraste retal pode ajudar a delinear a extensão da lesão, identificar extravasamento e avaliar estruturas adjacentes.
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