Trauma Retal: Manejo de Ferimentos por Arma de Fogo

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente vítima de ferimento por projétil de arma de fogo em flanco esquerdo, trazido pelo SAMU na Emergência com cerca de 9 horas do evento. Foi levado à laparotomia exploradora e foi identificada lesão perfurante do reto superior de cerca de 0,5 cm, sem necrose local, apenas com lesão por chamuscamento, com extravasamento de conteúdo fecal na cavidade abdominal. Sem outras lesões identificadas. Dentre as decisões que podem ser tomadas nesse caso, assinale a alternativa que corresponde a melhor decisão:

Alternativas

  1. A) desbridamento da lesão, rafia primária, lavagem exaustiva da cavidade com cerca de 15 litros de solução fisiológica e drenagem sentinela em flanco esquerdo da rafia realizada.
  2. B) Operação de Hartmann – (retossigmoidectomia + colostomia terminal em descendente e sepultamento do coto retal), lavagem exaustiva da cavidade com cerca de 15 litros de solução fisiológica.
  3. C) desbridamento e rafia da lesão, colostomia em alça em sigmóide proximal à lesão rafiada, lavagem exaustiva da cavidade com cerca de 15 litros de solução fisiológica.
  4. D) Sigmoidectomia, anastomose descendente-reto grampeada, lavagem exaustiva da cavidade com cerca de 15 litros de solução fisiológica, e drenagem sentinela da anastomose.
  5. E) Hemicolectomia esquerda clássica, anastomose transverso-reto grampeada, lavagem exaustiva da cavidade com cerca de 15 litros de solução fisiológica e drenagem sentinela da anastomose.

Pérola Clínica

Lesão retal traumática com contaminação fecal > 6h → rafia + colostomia de proteção.

Resumo-Chave

Em lesões retais traumáticas com contaminação significativa e tempo de evolução prolongado (>6h), a rafia primária da lesão deve ser associada a uma colostomia de proteção para desviar o trânsito fecal e permitir a cicatrização, reduzindo o risco de fístulas e sepse. A lavagem exaustiva da cavidade é crucial para minimizar a contaminação.

Contexto Educacional

O trauma retal, frequentemente associado a ferimentos por projétil de arma de fogo ou acidentes automobilísticos, é uma condição grave que exige manejo cirúrgico imediato. A incidência varia conforme a região e o tipo de trauma, mas a contaminação fecal na cavidade abdominal é uma complicação potencialmente letal, levando a peritonite e sepse. A decisão terapêutica é crucial para a morbimortalidade do paciente. A fisiopatologia envolve a perfuração da parede retal, permitindo o extravasamento de conteúdo intestinal para o peritônio, desencadeando uma resposta inflamatória sistêmica. O diagnóstico é feito durante a laparotomia exploradora, onde a extensão da lesão e o grau de contaminação são avaliados. A suspeita deve ser alta em traumas penetrantes de flanco ou pelve, e a exploração cuidadosa é mandatória. O tratamento de lesões retais superiores com contaminação fecal e tempo de evolução prolongado geralmente envolve desbridamento, rafia primária da lesão e criação de uma colostomia de proteção (em alça ou terminal) para desviar o trânsito fecal e permitir a cicatrização sem pressão. A lavagem exaustiva da cavidade é mandatória para reduzir a carga bacteriana. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da adequação do tratamento cirúrgico, com foco na prevenção de fístulas e infecções.

Perguntas Frequentes

Quais fatores influenciam a decisão de colostomia de proteção em trauma retal?

Fatores incluem o grau de contaminação fecal, o tempo desde o trauma, a extensão da lesão, a estabilidade hemodinâmica do paciente e a presença de outras lesões associadas, que aumentam o risco de falha da rafia primária.

Qual a importância da lavagem exaustiva da cavidade abdominal em lesões retais?

A lavagem exaustiva é fundamental para remover o conteúdo fecal extravasado, reduzindo a carga bacteriana e o risco de peritonite, formação de abscessos e sepse pós-operatória, melhorando o prognóstico do paciente.

Quando a operação de Hartmann é indicada em lesões retais?

A operação de Hartmann é reservada para lesões retais mais complexas, com grande destruição tecidual, necrose, ou em pacientes instáveis, onde a rafia primária e colostomia de proteção não são viáveis ou seguras, oferecendo uma solução mais definitiva.

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