Trauma Renal Grau IV: Manejo em Paciente Estável

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente trazido pelo corpo de bombeiros ao pronto- -socorro, vítima de queda de altura. Na avaliação inicial, encontra-se com vias aéreas pérveas, sem dor cervical, ausculta pulmonar sem alterações, FR=20 ipm, PA=130x80 mmHg, FC= 90 bpm, sem déficit neurológico, Glasgow 15. Exame físico abdominal com dor à palpação profunda em flanco direito, descompressão brusca dolorosa ausente, com hematoma em região lombar direita. Referindo dor lombar e urina avermelhada. Após medidas iniciais, foi submetido à tomografia de abdome que mostra lesão renal direita com laceração cortical de 5 cm com extensão à junção cortico medular e laceração vascular com hemorragia contida. A conduta correta a ser tomada é

Alternativas

  1. A) laparotomia exploradora para controle da hemorragia.
  2. B) internação em leito de enfermaria para observação com sintomáticos.
  3. C) alta com acompanhamento ambulatorial com analgesia e orientação de sinais de alerta.
  4. D) internação em UTI, com monitorização e abordagem cirúrgica em caso de instabilização.
  5. E) internação em enfermaria, HB/HT seriado, laparotomia se queda 2 pontos HB.

Pérola Clínica

Trauma renal grau IV com hemorragia contida e estabilidade hemodinâmica → Internação UTI, monitorização, cirurgia se instabilização.

Resumo-Chave

Lesões renais grau IV, como laceração cortical com extensão à junção corticomedular e laceração vascular com hemorragia contida, em paciente hemodinamicamente estável, requerem internação em UTI para monitorização intensiva e intervenção cirúrgica apenas se houver instabilização.

Contexto Educacional

O trauma renal é uma lesão urogenital comum, frequentemente associada a traumas contusos, como quedas de altura ou acidentes automobilísticos. A avaliação inicial deve seguir os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização hemodinâmica. A hematúria é um sinal comum, mas sua ausência não exclui lesão grave. A tomografia computadorizada com contraste é o padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento das lesões renais, utilizando a classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST). Lesões grau IV, como a descrita no caso (laceração cortical com extensão à junção corticomedular e laceração vascular com hemorragia contida), em pacientes hemodinamicamente estáveis, são frequentemente manejadas de forma conservadora. A conduta conservadora para lesões renais de alto grau em pacientes estáveis envolve internação em UTI, monitorização rigorosa de sinais vitais e exames laboratoriais (HB/HT seriados), repouso no leito e analgesia. A intervenção cirúrgica (nefrorrafia ou nefrectomia) é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica persistente, sangramento incontrolável ou complicações como urinoma ou infecção.

Perguntas Frequentes

Como é classificada a lesão renal grau IV?

A lesão renal grau IV inclui laceração do parênquima que se estende ao sistema coletor ou à junção corticomedular, lesão vascular segmentar ou lesão do pedículo renal com hemorragia contida.

Qual a conduta inicial para trauma renal grau IV em paciente estável?

A conduta inicial para trauma renal grau IV em paciente hemodinamicamente estável é a internação em UTI para monitorização intensiva, controle da dor e observação rigorosa. A cirurgia é reservada para casos de instabilização hemodinâmica persistente.

Quando a laparotomia exploradora é indicada no trauma renal?

A laparotomia exploradora é indicada no trauma renal em pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica, lesão do pedículo renal com sangramento ativo não contido, ou lesões associadas que exijam intervenção cirúrgica imediata.

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