Trauma Renal Contuso: Manejo Conservador em Lesões Grau III

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Um homem com 23 anos de idade, em atendimento no Pronto-Socorro de hospital de nível terciário, apresenta trauma abdominal contuso após acidente automobilístico, sem evidências de lesões em outros segmentos corpóreos. Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca de 84 batimentos por minuto, preenchimento capilar menor que 2 segundos, pressão arterial de 115 x 65 mmHg. Durante o atendimento inicial foi utilizada sondagem vesical de demora que evidenciou hematúria maciça. A tomografia de abdome com contraste endovenoso mostrou uma lesão renal grau III, correspondendo a laceração cortical do parênquima renal maior que 1 cm, sem extravasamento urinário. Não foram evidenciadas outras lesões no abdome.Considerando essa história clínica, os dados do exame físico e da tomografia, a conduta correta é indicar

Alternativas

  1. A) arteriografia e embolização para coibir o sangramento.
  2. B)  tratamento operatório em função da hematúria maciça.
  3. C) sonda vesical de três vias e irrigação com solução salina 0,9%.
  4. D) repouso até resolução da hematúria, hematócrito seriado e antibióticos.

Pérola Clínica

Trauma renal contuso estável hemodinamicamente com lesão grau III → manejo conservador com repouso e monitorização.

Resumo-Chave

Em trauma renal contuso, a estabilidade hemodinâmica é o fator mais importante para decidir o manejo. Lesões renais grau III, como lacerações corticais sem extravasamento urinário, em pacientes estáveis, são geralmente tratadas de forma conservadora, com repouso, monitorização de hematócrito e, por vezes, antibióticos profiláticos.

Contexto Educacional

O trauma renal contuso é a lesão urológica mais comum, frequentemente associado a acidentes automobilísticos, quedas ou esportes. A avaliação inicial de um paciente com trauma abdominal deve seguir os princípios do ATLS, priorizando a estabilização hemodinâmica. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de escolha para estadiar as lesões renais e guiar a conduta. A classificação da *American Association for the Surgery of Trauma* (AAST) divide as lesões renais em cinco graus, sendo o grau III caracterizado por laceração cortical maior que 1 cm, sem envolvimento do sistema coletor ou extravasamento urinário. A conduta para o trauma renal é amplamente determinada pela estabilidade hemodinâmica do paciente. Pacientes hemodinamicamente instáveis com lesões renais significativas podem necessitar de intervenção cirúrgica imediata. No entanto, a maioria das lesões renais contusas, incluindo as de grau III, em pacientes hemodinamicamente estáveis, pode ser tratada de forma conservadora. Este manejo inclui repouso absoluto no leito, monitorização seriada do hematócrito para detectar sangramento contínuo, controle da dor e, em alguns casos, antibioticoprofilaxia para prevenir infecções urinárias associadas à hematúria. A arteriografia e embolização são reservadas para sangramentos persistentes ou pseudoaneurismas em pacientes estáveis.

Perguntas Frequentes

Quando o trauma renal contuso exige cirurgia?

A cirurgia para trauma renal contuso é indicada principalmente em casos de instabilidade hemodinâmica persistente, lesões pediculares, avulsão da junção ureteropélvica ou extravasamento urinário significativo e não contido.

Qual a importância da estabilidade hemodinâmica no trauma renal?

A estabilidade hemodinâmica é o principal fator para decidir entre manejo conservador e cirúrgico no trauma renal. Pacientes estáveis, mesmo com lesões de alto grau, podem ser manejados conservadoramente com sucesso.

Como é classificada a lesão renal grau III?

A lesão renal grau III, segundo a classificação da AAST, corresponde a uma laceração cortical maior que 1 cm de profundidade, sem extravasamento urinário para o sistema coletor, ou múltiplos pequenos infartos corticais.

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