Trauma Renal Grau III: Conduta e Manejo Conservador

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um jovem vítima de acidente automobilístico apresenta dor em flanco esquerdo e hematúria macroscópica. A tomografia computadorizada revela laceração renal grau III (laceração profunda sem envolvimento de sistema coletor) e uma fratura pélvica de ramo de ísquio à esquerda. Qual é a melhor conduta para este caso?

Alternativas

  1. A) Cistografia para afastar lesão de bexiga.
  2. B) Monitorização hemodinâmica e observação.
  3. C) Nefrectomia parcial.
  4. D) Realização de embolização da artéria renal.
  5. E) Drenagem percutânea do hematoma.

Pérola Clínica

Trauma renal contuso com paciente hemodinamicamente estável, mesmo grau III/IV → manejo conservador é a regra.

Resumo-Chave

A maioria dos traumas renais contusos (graus I a IV), em pacientes hemodinamicamente estáveis, é manejada de forma não operatória. A monitorização em UTI, repouso absoluto e controle de imagem são os pilares do tratamento para preservar o órgão.

Contexto Educacional

O trauma renal é uma ocorrência comum em vítimas de trauma abdominal fechado, como em acidentes automobilísticos. A avaliação inicial é feita com tomografia computadorizada com contraste, que permite estadiar a lesão segundo a classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST). Uma lesão grau III, como a do caso, corresponde a uma laceração do parênquima renal maior que 1 cm de profundidade, mas sem atingir o sistema coletor ou causar extravasamento de urina. Nas últimas décadas, o manejo do trauma renal contuso mudou drasticamente. Atualmente, o tratamento não operatório (conservador) é o padrão-ouro para a grande maioria das lesões (graus I a IV) em pacientes que se apresentam ou se tornam hemodinamicamente estáveis após a reanimação inicial. O rim é um órgão retroperitoneal encapsulado pela fáscia de Gerota, o que favorece o tamponamento de sangramentos. O manejo conservador consiste em repouso absoluto no leito, monitorização hemodinâmica contínua (idealmente em ambiente de terapia intensiva), controle seriado de hematócrito e, se necessário, transfusão de hemoderivados. A intervenção, seja por embolização arterial seletiva ou cirurgia, fica reservada para casos de instabilidade hemodinâmica persistente, lesão de pedículo renal (grau V) ou complicações como sangramento tardio ou formação de urinoma.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar tratamento conservador no trauma renal?

O principal critério é a estabilidade hemodinâmica do paciente. A maioria das lesões contusas, classificadas como grau I a IV pela AAST, pode ser manejada conservadoramente com monitorização, repouso e analgesia, desde que o paciente permaneça estável.

Quando a cirurgia é necessária em um trauma renal?

A exploração cirúrgica é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica refratária à reanimação volêmica, avulsão do pedículo renal (lesão grau V) ou hematoma renal em expansão ou pulsátil visto durante uma laparotomia por outras lesões associadas.

Qual o papel da embolização arterial seletiva no trauma renal?

A embolização é uma alternativa minimamente invasiva à cirurgia para pacientes com sangramento ativo persistente (extravasamento de contraste na TC) que permanecem hemodinamicamente estáveis ou que se estabilizam após a reanimação inicial. É uma técnica eficaz para preservar o rim.

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