Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2023
Paciente 35 anos, masculino, vítima de acidente por colisão lateral carro x poste, com suspeita de trauma abdominal contuso, apresenta dor importante em flanco esquerdo onde ao exame físico, observa-se um hematoma importante, demais exames vitais normais. Realizou uma TC de abdome e pelve com duplo contraste que evidenciou lesão renal < 1 cm de profundidade, superficial ao córtex e hematoma renal associado. Qual a classificação desta lesão?
Lesão renal <1cm superficial ao córtex com hematoma não expansivo = Trauma Renal Grau II (AAST).
A classificação do trauma renal pela AAST (American Association for the Surgery of Trauma) é fundamental para guiar a conduta. Uma laceração parenquimatosa menor que 1 cm de profundidade, superficial ao córtex, com hematoma renal não expansivo, é classificada como Grau II.
O trauma renal é uma lesão comum em casos de trauma abdominal contuso, sendo o rim o órgão geniturinário mais frequentemente afetado. A avaliação e classificação precisas são cruciais para determinar a conduta terapêutica e o prognóstico do paciente. A American Association for the Surgery of Trauma (AAST) desenvolveu uma escala de graduação que é amplamente utilizada para padronizar a descrição das lesões renais, variando de Grau I (lesões menores) a Grau V (lesões mais graves). Compreender essa classificação é fundamental para todos os profissionais que atuam em emergências e cirurgia do trauma. No caso apresentado, o paciente sofreu um trauma abdominal contuso com dor em flanco esquerdo e hematoma. A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com duplo contraste é o exame padrão-ouro para avaliar a extensão da lesão renal. A descrição de uma lesão renal menor que 1 cm de profundidade, superficial ao córtex, e um hematoma renal associado, sem extravasamento urinário ou lesão vascular significativa, enquadra-se na definição de trauma renal Grau II. Este grau indica uma laceração parenquimatosa superficial que não se estende à medula renal ou ao sistema coletor, acompanhada de um hematoma perirrenal não expansivo. A conduta para a maioria dos traumas renais de Grau I e II é conservadora, envolvendo observação clínica rigorosa, monitorização hemodinâmica, repouso no leito e analgesia. A intervenção cirúrgica é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica persistente, lesões vasculares graves, extravasamento urinário significativo ou lesões de alto grau (IV e V). O conhecimento da classificação da AAST permite uma abordagem sistemática e baseada em evidências, otimizando os resultados para os pacientes e minimizando a necessidade de intervenções invasivas desnecessárias.
A classificação da AAST para trauma renal baseia-se na profundidade e extensão das lacerações parenquimatosas, na presença e tamanho de hematomas, no envolvimento do sistema coletor e na lesão vascular. Os graus variam de I (contusão ou hematoma subcapsular não expansivo) a V (rim avulsionado ou lesão vascular hilar grave).
A TC com contraste é o método de imagem de escolha para avaliar o trauma renal, pois permite identificar lacerações parenquimatosas, hematomas (subcapsulares, perirrenais), extravasamento de urina (indicando lesão do sistema coletor) e lesões vasculares. O contraste é crucial para diferenciar o parênquima viável de áreas desvascularizadas e para detectar extravasamento.
A conduta para trauma renal Grau II é geralmente conservadora, com observação clínica rigorosa, repouso no leito, monitorização dos sinais vitais e da função renal, e controle da dor. A maioria dos traumas renais de baixo grau (I, II e alguns III) pode ser manejada sem intervenção cirúrgica, com alta taxa de sucesso.
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