USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Homem, 19 anos, foi vítima de queda de bicicleta em alta velocidade. Na admissão no serviço de Emergência, encontrava-se consciente, com PA de 120x70 mmHg e FC de 105 bpm; abdome doloroso à palpação em hipocôndrio e flanco esquerdo. Após a passagem de sonda vesical, foi evidenciada hematúria.Exames laboratoriais com uma hora após trauma: Hb 9,6 g/dL; Ht 28%; Ureia = 54 mg/dL; Creatinina 1,1 mg/dL; pH 7,37; BE 1; Lactato 10 mg/dL. A tomografia de abdome é apresentada. Qual é o tratamento para a lesão abdominal neste momento?
Trauma renal com estabilidade hemodinâmica e sem lesões complexas → manejo conservador é a regra.
Paciente jovem com trauma abdominal e hematúria, mas hemodinamicamente estável, mesmo com queda de Hb/Ht, sugere lesão renal que pode ser manejada conservadoramente. A tomografia é crucial para estadiamento e decisão da conduta.
O trauma renal é uma lesão comum em traumas abdominais fechados, frequentemente associado a acidentes de trânsito ou quedas. Sua importância clínica reside na necessidade de preservar a função renal e evitar complicações hemorrágicas ou infecciosas, sendo uma condição que exige avaliação e manejo precisos. O diagnóstico é suspeitado pela presença de hematúria macro ou microscópica e dor no flanco. A tomografia computadorizada com contraste é essencial para classificar a lesão (escala AAST) e determinar a conduta. A estabilidade hemodinâmica do paciente é o fator mais crítico na decisão terapêutica, diferenciando o manejo conservador do cirúrgico. O tratamento evoluiu para um manejo predominantemente conservador na maioria dos casos de pacientes estáveis, com monitorização rigorosa da pressão arterial, frequência cardíaca e exames laboratoriais. Intervenções cirúrgicas ou radiológicas (como embolização) são reservadas para instabilidade hemodinâmica, sangramento persistente, lesões de alto grau ou complicações específicas.
O manejo conservador é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem outras lesões abdominais que exijam cirurgia e com lesões renais de baixo a moderado grau (AAST I-IV). A monitorização rigorosa é fundamental.
A cirurgia (laparotomia exploradora ou nefrectomia) é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica persistente, lesões renais graves (AAST V), sangramento incontrolável ou lesões associadas que demandem intervenção cirúrgica imediata.
A tomografia computadorizada com contraste é o exame padrão-ouro para estadiar a lesão renal, identificar extravasamento de urina ou sangramento ativo, e guiar a decisão terapêutica, classificando a lesão segundo a escala AAST.
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