Trauma Renal: Classificação e Manejo no Paciente Politraumatizado

DASA - Diagnósticos da América (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente jovem é vítima de atropelamento de alta energia cinética em rodovia. É admitido em prancha rígida e com colar cervical e atendido pelo protocolo americano de trauma. A - Via aérea pérvia, com colar cervical. B - Murmúrio presente bilateral, sem ruídos adventícios. Boa expansibilidade. Saturação periférica de oxigênio em ar ambiente: 98%. C - Bulhas rítmicas, taquicárdicas. Pulso filiforme. FC: 130bpm. PA: 80x40 mmHg. D - Glasgow 14. Pupilas isocóricas, fotorreagentes, sem déficits focais. E - Sem lesões ameaçadoras à vida. Achado na avaliação secundária hematoma na parede anterior do abdome e flanco esquerdo, doloroso à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. Após atendimento inicial, expansão e transfusão de hemoderivados apresentou estabilidade hemodinâmica que permitiu realizar a tomografia de abdome abaixo. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Trauma esplênico III
  2. B) Trauma esplênico IV
  3. C) Trauma renal V
  4. D) Trauma renal VI

Pérola Clínica

Trauma abdominal + choque hipovolêmico + hematoma flanco esquerdo → suspeitar de lesão renal ou esplênica grave.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, pulso filiforme) após trauma de alta energia, com hematoma em flanco esquerdo. A estabilização hemodinâmica permitiu a TC. A questão pede a principal hipótese diagnóstica baseada na imagem (que não foi fornecida, mas o gabarito indica trauma renal V). Lesões renais grau V são graves, envolvendo laceração ou avulsão do pedículo renal.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado, como o resultante de atropelamentos de alta energia cinética, é uma causa frequente de lesões em órgãos sólidos, incluindo o rim e o baço. A avaliação inicial de um paciente politraumatizado segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), focando na identificação e tratamento de lesões que ameaçam a vida. A instabilidade hemodinâmica, caracterizada por taquicardia e hipotensão, é um sinal de choque, frequentemente hipovolêmico devido a hemorragia interna. A presença de hematoma na parede anterior do abdome e flanco esquerdo, doloroso à palpação, sugere lesão de órgãos retroperitoneais ou intraperitoneais. O rim, sendo um órgão retroperitoneal, pode ser lesado por forças de desaceleração ou compressão. A classificação das lesões renais é feita pela American Association for the Surgery of Trauma (AAST), variando de grau I (contusão ou pequeno hematoma subcapsular) a grau V (rim dilacerado ou avulsão do pedículo renal). Lesões renais grau V são as mais graves, frequentemente associadas a instabilidade hemodinâmica e requerem intervenção imediata, que pode incluir nefrectomia. A estabilização inicial com fluidos e hemoderivados é crucial para permitir exames de imagem como a tomografia computadorizada, que é o padrão-ouro para estadiamento das lesões renais e planejamento do tratamento, seja ele conservador ou cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para trauma renal em um paciente politraumatizado?

Sinais de alerta incluem hematúria (macro ou microscópica), dor no flanco, hematoma ou equimose lombar, fraturas de costelas inferiores ou vértebras lombares, e instabilidade hemodinâmica inexplicada.

Como é classificado o trauma renal segundo a AAST?

A American Association for the Surgery of Trauma (AAST) classifica o trauma renal em graus I a V, baseando-se na extensão da laceração do parênquima, envolvimento do sistema coletor, presença de hematoma perirrenal e lesão vascular do pedículo.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de trauma renal e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com fluidos e hemoderivados, controle de hemorragias ativas e, se a instabilidade persistir, exploração cirúrgica imediata para controle da lesão.

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