UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Homem de 45 anos de idade trazido pelo resgate o pronto socorro referindo colisão de auto-auto lateral. Realizado todas medidas iniciais conforme ATLS. Paciente apresentava equimose em região lombar esquerda e hematúria macroscópica na sonda vesical de demora. Apresentou instabilidade hemodinâmica que respondeu a volume, permanecendo estável após as medidas iniciais. Apresentava alteração apenas no exame tomográfico do abdome com lesão renal E evidenciando laceração maior que 1cm de profundidade no parênquima e extravasamento de contraste peri-renal.Qual o grau da lesão renal neste caso?Qual a melhor conduta para o caso?
Laceração renal >1cm com extravasamento perirrenal = Trauma renal Grau III; manejo conservador se estável.
A classificação de trauma renal da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) é crucial. Uma laceração parenquimatosa maior que 1 cm sem extravasamento urinário para o sistema coletor, mas com extravasamento de contraste perirrenal, caracteriza uma lesão Grau III. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, o manejo conservador é a conduta preferencial.
O trauma renal é uma lesão comum em traumas abdominais e pélvicos, sendo o rim o órgão geniturinário mais frequentemente afetado. A avaliação inicial de um paciente com trauma renal segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização hemodinâmica. Sinais como equimose lombar, dor no flanco e hematúria (macroscópica ou microscópica) devem levantar a suspeita de lesão renal. A classificação da lesão renal é crucial para guiar a conduta e é feita predominantemente por tomografia computadorizada com contraste. A American Association for the Surgery of Trauma (AAST) classifica as lesões renais de I a V. No caso descrito, uma laceração parenquimatosa maior que 1 cm de profundidade com extravasamento de contraste perirrenal, mas sem envolvimento do sistema coletor, corresponde a uma lesão renal Grau III. A conduta para o trauma renal depende do grau da lesão e da estabilidade hemodinâmica do paciente. Para lesões de Grau I a III, e em muitos casos de Grau IV, o manejo conservador é a abordagem preferencial em pacientes hemodinamicamente estáveis. Isso envolve repouso, hidratação, analgesia e monitorização rigorosa. A exploração cirúrgica é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente, lesões do pedículo renal (Grau V) ou extravasamento urinário significativo que não se resolve. O objetivo principal é preservar a função renal e evitar nefrectomias desnecessárias.
A AAST classifica o trauma renal em cinco graus. Grau I: contusão ou hematoma subcapsular não expansivo. Grau II: hematoma perirrenal não expansivo ou laceração cortical <1 cm sem extravasamento urinário. Grau III: laceração cortical >1 cm sem extravasamento urinário para o sistema coletor. Grau IV: laceração que se estende ao sistema coletor ou lesão vascular segmentar. Grau V: rim esfacelado ou avulsão do pedículo renal.
Para um trauma renal Grau III em paciente hemodinamicamente estável, a conduta preferencial é o manejo conservador. Isso inclui repouso no leito, hidratação, analgesia, monitorização rigorosa dos sinais vitais e da hematúria, e exames de imagem de controle para avaliar a resolução do hematoma e a cicatrização da lesão.
A exploração cirúrgica no trauma renal é indicada principalmente em casos de instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica, lesões vasculares renais maiores (Grau V), extravasamento urinário significativo que não se resolve espontaneamente, ou lesões associadas que exijam intervenção cirúrgica.
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