Trauma Renal: Diagnóstico em Paciente Hemodinamicamente Estável

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Entregador de pizzas sofre queda da moto após colidir com um cachorro e chega ao pronto socorro em choque hipovolêmico que foi revertido e estabilizou após 1500 ml de ringer lactato endovenoso. No exame físico do trauma, a única alteração encontrada foi dor lombar à esquerda, dor abdominal em flanco esquerdo e hematúria macroscópica na sonda vesical. A melhor conduta diagnóstica e justificativa para tal conduta neste paciente é:

Alternativas

  1. A) Ultrassom focado para o trauma (USG F.A.S.T.), devido à instabilidade hemodinâmica inicial.
  2. B) Urografia excretora devido a suspeita de trauma renal grau I.
  3. C) Uretrocistografia miccional devido a suspeita de fratura de bacia com lesão uretral.
  4. D) TC do abdome com contraste endovenoso devido a estabilidade hemodinâmica.
  5. E) realização de lavado peritoneal diagnóstico, devido melhor sensibilidade na detecção de lesões intestinais.

Pérola Clínica

Paciente com trauma abdominal/lombar, hematúria e estabilidade hemodinâmica → TC de abdome com contraste é o padrão ouro.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de trauma com suspeita de lesão renal (hematúria, dor lombar/flanco) que estão hemodinamicamente estáveis após ressuscitação inicial, a tomografia computadorizada com contraste endovenoso é o exame de escolha para estadiar a lesão renal e identificar outras lesões abdominais.

Contexto Educacional

O trauma renal é uma lesão comum em traumas abdominais e lombares, podendo variar de contusões leves a lesões graves com ruptura do parênquima ou pedículo vascular. A hematúria, seja macroscópica ou microscópica, é o principal indicador de lesão do trato urinário e deve sempre levantar a suspeita de trauma renal. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização hemodinâmica. Uma vez que o paciente esteja hemodinamicamente estável, a investigação diagnóstica pode prosseguir com exames de imagem mais detalhados. A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste endovenoso é o padrão ouro para o estadiamento de lesões renais em pacientes estáveis. Ela permite classificar a lesão de acordo com a escala da AAST (American Association for the Surgery of Trauma), o que é fundamental para guiar a conduta terapêutica, que pode variar de tratamento conservador a intervenção cirúrgica ou embolização.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para trauma renal?

Os principais sinais de alerta para trauma renal incluem hematúria (macro ou microscópica), dor lombar ou em flanco, equimose ou hematoma na região lombar, fratura de costelas inferiores ou processos espinhosos lombares, e hipotensão após trauma.

Por que a TC com contraste é o melhor exame para trauma renal em pacientes estáveis?

A TC com contraste oferece uma avaliação detalhada do parênquima renal, sistema coletor e vasos renais, permitindo o estadiamento preciso da lesão e a identificação de lesões associadas em outros órgãos abdominais, sendo crucial para o planejamento terapêutico.

Quando o USG FAST é indicado no trauma abdominal?

O USG FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é indicado principalmente para pacientes vítimas de trauma com instabilidade hemodinâmica, a fim de identificar rapidamente a presença de líquido livre na cavidade peritoneal (indicando sangramento) e/ou derrame pericárdico.

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