Trauma Renal Grau 2: Classificação e Conduta Conservadora

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 18 anos de idade, sexo feminino, jogadora de Rugby, durante uma partida foi atingida na região dorsal pelo joelho da adversária. Evoluiu com muita dor logo após o trauma, a qual se intensificou durante o jogo. Substituída e trazida ao pronto atendimento, apresentava- se contactante, orientada, verbalizando a história do trauma e referindo dor na região lombar esquerda. PA 130 x 80 mmHg, FC 106 bpm, FR 18 mpm. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Palpação abdominal dolorosa à palpação profunda do flanco e hipocôndrio esquerdo. Descompressão brusca negativa. Submetida à tomografia computadorizada de abdômen com contraste endovenoso, revelou laceração parenquimatosa do rim esquerdo menor do que 1,0 cm no córtex sem extravasamento urinário e hematoma perirrenal não expansivo confinado ao retroperitônio. Diante desses achados, qual é a classificação do trauma renal e a conduta a ser adotada, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Grau 2 / Conduta conservadora (observação clínica).
  2. B) Grau 3 / Laparoscopia.
  3. C) Grau 1 / Conduta conservadora (observação clínica).
  4. D) Grau 2 / Laparoscopia.
  5. E) Grau 1 / Realizar urografia excretora após 24 horas.

Pérola Clínica

Laceração renal <1cm córtex + hematoma perirrenal não expansivo = Trauma Renal Grau 2 → Conduta conservadora.

Resumo-Chave

A classificação do trauma renal pela AAST é crucial para o manejo. Uma laceração parenquimatosa cortical menor que 1 cm, sem extravasamento urinário e com hematoma perirrenal não expansivo, corresponde a um Trauma Renal Grau 2. Nesses casos, a conduta inicial é conservadora, com observação clínica rigorosa.

Contexto Educacional

O trauma renal é uma lesão comum em pacientes vítimas de trauma abdominal, especialmente em acidentes contusos. A avaliação inicial e a classificação da lesão são passos cruciais para determinar a conduta terapêutica mais adequada, visando preservar a função renal e evitar complicações. A American Association for the Surgery of Trauma (AAST) desenvolveu uma escala de graduação que é amplamente aceita e utilizada para padronizar a descrição das lesões renais, variando de Grau I (lesões menores) a Grau V (lesões mais graves). O conhecimento dessa classificação é indispensável para profissionais que atuam em emergências e urologia. No caso clínico apresentado, a paciente sofreu um trauma dorsal com dor lombar esquerda. A tomografia computadorizada (TC) de abdômen com contraste endovenoso é o exame de imagem de escolha para avaliar a extensão da lesão renal. Os achados de laceração parenquimatosa do rim esquerdo menor do que 1,0 cm no córtex, sem extravasamento urinário, e hematoma perirrenal não expansivo confinado ao retroperitônio, são características que definem um trauma renal Grau 2 na escala da AAST. Este grau indica uma lesão cortical superficial, sem comprometimento do sistema coletor ou dos grandes vasos. A conduta para o trauma renal Grau 2 é, na grande maioria dos casos, conservadora. Isso envolve observação clínica rigorosa, monitorização hemodinâmica, repouso no leito, controle da dor e exames de imagem de acompanhamento. A intervenção cirúrgica é geralmente reservada para lesões de alto grau (IV e V) ou para pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente, extravasamento urinário significativo ou lesões vasculares graves. A abordagem conservadora tem demonstrado altas taxas de sucesso na resolução das lesões de baixo grau, minimizando a necessidade de procedimentos invasivos e seus riscos associados, e preservando a função renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar um trauma renal como Grau 2 pela AAST?

Um trauma renal é classificado como Grau 2 pela AAST quando há uma laceração parenquimatosa cortical menor que 1 cm de profundidade, sem extravasamento urinário para o sistema coletor, e/ou um hematoma perirrenal não expansivo confinado ao retroperitônio. Contusões renais ou hematomas subcapsulares não expansivos são Grau 1.

Quando a conduta conservadora é apropriada para o trauma renal e o que ela envolve?

A conduta conservadora é apropriada para a maioria dos traumas renais de Grau 1, 2 e alguns de Grau 3, desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável. Ela envolve repouso no leito, monitorização rigorosa dos sinais vitais e da função renal, controle da dor, e exames de imagem de acompanhamento para avaliar a resolução do hematoma ou a progressão da lesão. A maioria dos pacientes responde bem a essa abordagem.

Quais são os sinais de alerta que indicariam a necessidade de intervenção cirúrgica em um trauma renal?

Sinais de alerta que indicam a necessidade de intervenção cirúrgica incluem instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica, extravasamento urinário significativo e persistente, lesão vascular renal grave (trombose da artéria renal, avulsão do pedículo), ou um hematoma perirrenal em expansão. A presença de lesões de alto grau (IV ou V) também frequentemente requer intervenção.

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