HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Homem, de 23 anos de idade, foi admitido na unidade de emergência após ser vítima de queda de moto. Na admissão, queixava-se de dor abdominal e hematúria. Ao exame, apresentava escoriações em face, dorso e membros, além de frequência cardíaca de 98bpm, pressão arterial de 90x70mmHg, frequência respiratória de 19irpm e saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente. O abdome estava plano e doloroso à palpação superficial difusamente, com uma equimose na região do dorso e flanco à direita. Foi submetido a tomografia de abdome com contraste, que evidenciou as alterações que podem ser vistas a seguir: Qual é o tratamento recomendado para a lesão identificada neste momento?\\n\\n
Trauma renal estável (mesmo com hematúria) → Manejo conservador (repouso + observação).
A maioria das lesões renais traumáticas em pacientes hemodinamicamente estáveis pode ser manejada de forma conservadora, independentemente do grau da lesão na TC.
O manejo do trauma renal evoluiu significativamente para o tratamento não operatório (MNO). Atualmente, cerca de 90% das lesões renais podem ser tratadas conservadoramente. O pilar dessa decisão é a estabilidade hemodinâmica. O repouso absoluto é preconizado até que a hematúria macroscópica desapareça, e a monitorização seriada de hemoglobina/hematócrito é essencial para detectar sangramentos ocultos. A TC com fase excretora é fundamental para avaliar o sistema coletor e a presença de urinomas, que podem exigir drenagem percutânea ou stent duplo J tardiamente, mas raramente cirurgia aberta de urgência.
A principal indicação para intervenção cirúrgica (laparotomia) no trauma renal é a instabilidade hemodinâmica persistente que não responde à ressuscitação volêmica inicial, sugerindo hemorragia ativa incontrolável. Outras indicações incluem hematoma perirrenal pulsátil ou em expansão identificado durante laparotomia por outras lesões, e avulsão do pedículo renal (Grau V). Lesões isoladas, mesmo de alto grau (IV e V), em pacientes estáveis, são preferencialmente manejadas de forma conservadora ou via angioembolização se houver extravasamento de contraste.
A classificação mais utilizada é a da AAST (American Association for the Surgery of Trauma). O Grau I envolve contusão ou hematoma subcapsular não expansivo; Grau II é uma laceração cortical < 1cm sem extravasamento urinário; Grau III é uma laceração > 1cm sem atingir o sistema coletor; Grau IV envolve laceração através da junção corticomedular até o sistema coletor ou lesão de vasos segmentares; e o Grau V é o rim estilhaçado ou avulsão do hilo renal. A TC com contraste é o padrão-ouro para essa graduação.
A hematúria (micro ou macroscópica) é o sinal mais comum de trauma renal, mas sua intensidade não se correlaciona obrigatoriamente com a gravidade da lesão. Pacientes com trauma contuso e hematúria microscópica isolada, sem choque, raramente apresentam lesões significativas. No entanto, a presença de hematúria macroscópica ou microhematúria associada a choque (PAS < 90 mmHg) exige investigação imediata com TC de abdome e pelve com contraste para avaliar a integridade do trato urinário superior.
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