Trauma Renal: Classificação AAST e Manejo Inicial

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 23 anos de idade, foi admitido na unidade de emergência após ser vítima de queda de moto. Na admissão, queixava-se de dor abdominal e hematúria. Ao exame, apresentava escoriações em face, dorso e membros, além de frequência cardíaca de 98bpm, pressão arterial de 90x70mmHg, frequência respiratória de 19irpm e saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente. O abdome estava plano e doloroso à palpação superficial difusamente, com uma equimose na região do dorso e flanco à direita. Foi submetido a tomografia de abdome com contraste, que evidenciou as alterações que podem ser vistas a seguir: Qual é a classificação do grau da lesão?

Alternativas

  1. A) Grau II
  2. B) Grau III
  3. C) Grau IV
  4. D) Grau V

Pérola Clínica

Trauma renal: Grau III = Laceração > 1 cm sem extravasamento urinário ou hematoma perirrenal confinado.

Resumo-Chave

A classificação do trauma renal pela AAST (American Association for the Surgery of Trauma) é crucial para o manejo. O Grau III é caracterizado por laceração parenquimatosa com profundidade maior que 1 cm, sem extravasamento urinário para o sistema coletor, ou um hematoma perirrenal confinado.

Contexto Educacional

O trauma renal é a lesão urológica mais comum em traumas abdominais, frequentemente associado a acidentes automobilísticos, quedas e agressões. A avaliação inicial de um paciente com suspeita de trauma renal deve seguir os princípios do ATLS, com estabilização hemodinâmica. A hematúria macroscópica é um sinal comum, mas sua ausência não exclui lesão renal significativa, especialmente em casos de avulsão do pedículo. A tomografia computadorizada (TC) com contraste é o padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento das lesões renais. A classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST) é universalmente utilizada para graduar a gravidade da lesão, o que orienta a conduta terapêutica. Essa classificação varia de Grau I (contusão ou hematoma subcapsular não expansivo) a Grau V (rim esfacelado ou avulsão do pedículo renal). O Grau III, como indicado no gabarito, descreve uma laceração parenquimatosa com profundidade maior que 1 cm, sem envolvimento do sistema coletor (ou seja, sem extravasamento de urina), ou um hematoma perirrenal confinado. É crucial diferenciar do Grau II (laceração < 1 cm) e do Grau IV (laceração que se estende ao sistema coletor com extravasamento urinário ou lesão vascular segmentar). A maioria dos traumas renais de Grau I a III pode ser manejada de forma conservadora, com monitoramento rigoroso, enquanto lesões de Grau IV e V frequentemente requerem intervenção cirúrgica. A compreensão detalhada dessa classificação é essencial para a tomada de decisão clínica e para a resolução de questões de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados de imagem que indicam trauma renal?

Os achados incluem hematoma perirrenal, lacerações parenquimatosas (corticais ou corticomedulares), extravasamento de contraste (indicando lesão do sistema coletor ou vascular), avulsão do pedículo renal e lesões vasculares. A tomografia computadorizada com contraste é o método de imagem de escolha.

Qual a importância da classificação AAST no trauma renal?

A classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST) é fundamental para guiar o manejo do trauma renal, determinando se a conduta será conservadora ou cirúrgica, e auxiliando na previsão de complicações e prognóstico.

Como diferenciar um trauma renal Grau II de um Grau III?

O trauma renal Grau II envolve hematoma perirrenal não expansivo confinado ao retroperitônio ou laceração cortical com menos de 1 cm de profundidade sem extravasamento urinário. O Grau III é mais grave, caracterizado por laceração parenquimatosa maior que 1 cm de profundidade, sem extravasamento urinário, ou hematoma perirrenal confinado. A profundidade da laceração é o principal diferencial.

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