SUS-RR - Sistema Único de Saúde de Roraima — Prova 2018
Paciente chega ao PS após mergulho em água rasa. No momento apresentando dispneia, ausência de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa dos ombros para baixo além de elevação das cúpulas frênicas ao RX de tórax. PAS -80 mmhg. O diagnóstico mais provável, é:
Mergulho em água rasa + tetraplegia + dispneia + hipotensão → Trauma raquimedular cervical alto.
O mecanismo de mergulho em água rasa é clássico para trauma raquimedular cervical. A perda de sensibilidade dos ombros para baixo (tetraplegia) e a dispneia com elevação das cúpulas frênicas (paralisia diafragmática por lesão de C3-C5) são sinais de lesão medular cervical alta. A hipotensão (PAS 80 mmHg) sem taquicardia pode indicar choque neurogênico, reforçando o diagnóstico.
O trauma raquimedular cervical é uma lesão devastadora, frequentemente associada a acidentes de mergulho em água rasa, acidentes automobilísticos e quedas. A força axial aplicada à coluna cervical pode resultar em fraturas e luxações vertebrais, levando à compressão ou transecção da medula espinhal. Os sintomas variam de acordo com o nível e a extensão da lesão, mas lesões cervicais altas (acima de C5) são particularmente graves devido ao comprometimento da função respiratória e cardiovascular. A apresentação clínica de tetraplegia (perda de sensibilidade e motricidade dos ombros para baixo), dispneia e elevação das cúpulas frênicas (indicando paralisia diafragmática por lesão dos nervos frênicos C3-C5) é altamente sugestiva de lesão medular cervical alta. A hipotensão (PAS 80 mmHg) sem taquicardia reflexa, ou até com bradicardia, é um sinal clássico de choque neurogênico, resultante da perda do tônus simpático abaixo do nível da lesão, levando à vasodilatação e bradicardia. O manejo inicial deve focar na imobilização da coluna cervical, manutenção da via aérea, ventilação e suporte circulatório. A suspeita precoce e a intervenção adequada são cruciais para minimizar danos secundários e melhorar o prognóstico. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente esses sinais e iniciar o protocolo de atendimento ao trauma, garantindo a estabilização do paciente e a investigação diagnóstica por imagem.
Sinais de lesão medular cervical alta incluem tetraplegia (perda de força e sensibilidade nos quatro membros), dispneia ou insuficiência respiratória devido à paralisia diafragmática (lesão de C3-C5), choque neurogênico (hipotensão com bradicardia ou taquicardia relativa) e priapismo em homens.
A elevação das cúpulas frênicas ocorre devido à paralisia do diafragma, que é inervado pelos nervos frênicos (originados dos segmentos C3, C4 e C5 da medula espinhal). Uma lesão medular cervical acima de C5 pode comprometer essa inervação, levando à disfunção diafragmática e, consequentemente, à elevação das cúpulas no RX de tórax.
A conduta inicial em caso de suspeita de trauma raquimedular inclui imobilização imediata da coluna cervical (colar cervical e prancha rígida), avaliação da via aérea, respiração e circulação (ABCDE do trauma), oxigenoterapia, controle da hipotensão (com fluidos e, se necessário, vasopressores para choque neurogênico) e avaliação neurológica completa. A neuroimagem (tomografia ou ressonância) é fundamental para confirmar a lesão.
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