FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Levantamentos estatísticos realizados no Brasil nas últimas décadas em relação ao trauma raquimedular demonstraram aspectos importantes acerca deste tipo de trauma. Associando-se esses dados com os descritos no ATLSTM, pode-se afirmar corretamente que:
Instabilidade sistêmica → adiar exame da coluna (desde que protegida) até estabilização.
No trauma, o ABCDE prevalece. A proteção da coluna é mandatória, mas a avaliação definitiva e exclusão de lesões podem ser postergadas se houver risco iminente à vida.
O trauma raquimedular (TRM) representa uma emergência médica com alto potencial de morbimortalidade. O manejo inicial segue rigorosamente os preceitos do ATLS, onde a proteção da medula espinhal é iniciada simultaneamente ao manejo das vias aéreas. No entanto, o diagnóstico definitivo de lesões vertebrais não deve atrasar manobras de ressuscitação em pacientes instáveis. A imobilização em prancha rígida e colar cervical é uma medida temporária de proteção enquanto se busca a estabilidade sistêmica. Epidemiologicamente, o perfil do TRM no Brasil envolve majoritariamente homens jovens, vítimas de acidentes automobilísticos, mergulho em águas rasas ou quedas. A compreensão da fisiopatologia da lesão primária (impacto mecânico) e secundária (isquemia, edema, inflamação) é crucial para o tratamento, que pode envolver descompressão cirúrgica precoce e suporte intensivo para manter a perfusão medular adequada.
A exclusão de lesões medulares e o exame detalhado da coluna devem ser realizados apenas após a estabilização das funções vitais (ABCDE). Se o paciente apresenta instabilidade sistêmica, como choque hemorrágico ou insuficiência respiratória, a prioridade é a reanimação, mantendo a coluna devidamente imobilizada e protegida até que o quadro clínico permita uma avaliação segura e minuciosa.
Aproximadamente 5% dos pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) apresentam uma lesão de coluna associada. Por outro lado, cerca de 25% dos pacientes com lesão de coluna possuem algum grau de lesão cerebral, variando de concussões leves a traumas graves. Essa associação exige alto índice de suspeição clínica e proteção cervical contínua em pacientes com nível de consciência reduzido.
A coluna cervical é o segmento mais frequentemente lesionado no trauma raquimedular, correspondendo a cerca de 55% das lesões. A região torácica responde por aproximadamente 15%, a transição toracolombar por 15% e a região lombossacra por outros 15%. Diferente do que algumas estatísticas antigas sugeriam, a cervical lidera devido à sua maior mobilidade e exposição.
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