Trauma Raquimedular: Prioridades e Manejo no ATLS

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Levantamentos estatísticos realizados no Brasil nas últimas décadas em relação ao trauma raquimedular demonstraram aspectos importantes acerca deste tipo de trauma. Associando-se esses dados com os descritos no ATLSTM, pode-se afirmar corretamente que:

Alternativas

  1. A) Desde que a coluna do doente esteja devidamente protegida, o exame da coluna e a exclusão de lesões medulares podem ser adiados seguramente na presença de alguma instabilidade sistêmica.
  2. B) O seguimento mais afetado no trauma raquimedular é a região torácica (60%) por trauma penetrante; em seguida, a coluna lombar (20%), cervical (15%) e sacrococcígea (5%).
  3. C) Em torno de 50% dos pacientes com lesão cerebral apresentam lesão associada na coluna; 5% daqueles que têm trauma em coluna apresentarão alguma lesão cerebral.
  4. D) Lesões incompletas e da cauda equina têm baixo potencial de recuperação (4,7 e 8,6%, respectivamente) por tratamento combinado clínico/cirúrgico.
  5. E) O perfil obtido por dados estatísticos no Brasil aponta, como maior incidência de trauma raquimedular, mulheres jovens apresentando acidentes automobilísticos como principal mecanismo de trauma, seguidos por quedas de altura.

Pérola Clínica

Instabilidade sistêmica → adiar exame da coluna (desde que protegida) até estabilização.

Resumo-Chave

No trauma, o ABCDE prevalece. A proteção da coluna é mandatória, mas a avaliação definitiva e exclusão de lesões podem ser postergadas se houver risco iminente à vida.

Contexto Educacional

O trauma raquimedular (TRM) representa uma emergência médica com alto potencial de morbimortalidade. O manejo inicial segue rigorosamente os preceitos do ATLS, onde a proteção da medula espinhal é iniciada simultaneamente ao manejo das vias aéreas. No entanto, o diagnóstico definitivo de lesões vertebrais não deve atrasar manobras de ressuscitação em pacientes instáveis. A imobilização em prancha rígida e colar cervical é uma medida temporária de proteção enquanto se busca a estabilidade sistêmica. Epidemiologicamente, o perfil do TRM no Brasil envolve majoritariamente homens jovens, vítimas de acidentes automobilísticos, mergulho em águas rasas ou quedas. A compreensão da fisiopatologia da lesão primária (impacto mecânico) e secundária (isquemia, edema, inflamação) é crucial para o tratamento, que pode envolver descompressão cirúrgica precoce e suporte intensivo para manter a perfusão medular adequada.

Perguntas Frequentes

Quando realizar a exclusão de lesão medular no trauma?

A exclusão de lesões medulares e o exame detalhado da coluna devem ser realizados apenas após a estabilização das funções vitais (ABCDE). Se o paciente apresenta instabilidade sistêmica, como choque hemorrágico ou insuficiência respiratória, a prioridade é a reanimação, mantendo a coluna devidamente imobilizada e protegida até que o quadro clínico permita uma avaliação segura e minuciosa.

Qual a relação entre lesão cerebral e lesão de coluna?

Aproximadamente 5% dos pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) apresentam uma lesão de coluna associada. Por outro lado, cerca de 25% dos pacientes com lesão de coluna possuem algum grau de lesão cerebral, variando de concussões leves a traumas graves. Essa associação exige alto índice de suspeição clínica e proteção cervical contínua em pacientes com nível de consciência reduzido.

Quais são as regiões da coluna mais afetadas no trauma?

A coluna cervical é o segmento mais frequentemente lesionado no trauma raquimedular, correspondendo a cerca de 55% das lesões. A região torácica responde por aproximadamente 15%, a transição toracolombar por 15% e a região lombossacra por outros 15%. Diferente do que algumas estatísticas antigas sugeriam, a cervical lidera devido à sua maior mobilidade e exposição.

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