Trauma Raquimedular: Quando Dispensar Imagem da Coluna

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2025

Enunciado

Com relação ao trauma raquimedular, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) No caso do paciente lúcido, consciente, sem deficit neurológicos focais, que não apresenta queixa de dor à palpação da coluna vertebral, sem intoxicação exógena, sem outras lesões graves, os exames de imagem da coluna não são necessários.
  2. B) A fratura de Jefferson – fratura completa do processo odontoide da C2 – é causada, mais frequentemente, por mecanismo de enforcamento.
  3. C) A síndrome de Brown-Séquard caracteriza-se por deficit motor contralateral e deficit da sensibilidade ipsilateral.
  4. D) O exame de maior acurácia diagnóstica para compressão medular após trauma é a mielografia contrastada.
  5. E) O perfil obtido por dados estatísticos no Brasil aponta, como maior incidência de trauma raquimedular, mulheres idosas apresentando quedas da própria altura como principal mecanismo de trauma.

Pérola Clínica

Paciente lúcido, sem dor cervical, sem déficit neurológico, sem intoxicação ou outras lesões graves, dispensa exames de imagem da coluna.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de trauma, a avaliação da coluna cervical pode ser dispensada de exames de imagem se preencherem critérios de baixo risco, como os do NEXUS ou Canadian C-Spine Rule. Isso evita exposições desnecessárias à radiação e otimiza recursos, focando a investigação em casos de maior suspeita.

Contexto Educacional

O trauma raquimedular (TRM) é uma condição grave que pode resultar em déficits neurológicos permanentes. A avaliação inicial de pacientes vítimas de trauma deve sempre incluir a estabilização da coluna vertebral até que a lesão seja descartada. No entanto, nem todos os pacientes necessitam de exames de imagem da coluna, e a triagem adequada é fundamental para otimizar o atendimento e evitar exposições desnecessárias à radiação. Critérios como o NEXUS (National Emergency X-Radiography Utilization Study) e a Canadian C-Spine Rule são amplamente utilizados para identificar pacientes de baixo risco que podem ter a coluna cervical liberada sem a necessidade de radiografias ou tomografias. Esses critérios consideram o estado de consciência do paciente, a presença de dor à palpação da coluna, a ausência de déficits neurológicos focais, a ausência de intoxicação e a ausência de outras lesões distrativas. A aplicação correta desses critérios é uma habilidade essencial para residentes em emergência e cirurgia. Outros aspectos importantes do TRM incluem o conhecimento de síndromes medulares específicas, como a Síndrome de Brown-Séquard, que se manifesta com perda motora ipsilateral e perda sensitiva contralateral abaixo do nível da lesão. Além disso, a fratura de Jefferson, que afeta o atlas (C1), é tipicamente causada por compressão axial e não por enforcamento, como erroneamente sugerido em uma alternativa. A mielografia contrastada, embora útil para avaliar compressão medular, não é o exame de maior acurácia diagnóstica de rotina após trauma, sendo a tomografia computadorizada e a ressonância magnética mais frequentemente empregadas para essa finalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para dispensar exames de imagem da coluna cervical em pacientes com trauma?

Os critérios de NEXUS permitem dispensar exames de imagem se o paciente estiver lúcido, sem dor à palpação da linha média cervical, sem déficit neurológico focal, sem intoxicação e sem outras lesões dolorosas que possam distrair da dor cervical. A Canadian C-Spine Rule é outra ferramenta validada para essa decisão.

O que é a Síndrome de Brown-Séquard e como ela se manifesta?

A Síndrome de Brown-Séquard é uma hemisseção medular que se caracteriza por déficit motor ipsilateral (do mesmo lado da lesão) e perda da propriocepção e sensibilidade vibratória, juntamente com perda da sensibilidade dolorosa e térmica contralateral (lado oposto à lesão).

Qual a principal causa e característica da fratura de Jefferson?

A fratura de Jefferson é uma fratura do atlas (C1), geralmente causada por um mecanismo de compressão axial (mergulho em águas rasas, queda sobre a cabeça). Ela envolve fraturas nos arcos anterior e posterior do C1, podendo ser estável ou instável dependendo da integridade do ligamento transverso.

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