Mecanismo de Trauma: Lesões Esqueléticas Comuns em Quedas de Altura

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

A obtenção de uma história detalhada do paciente com lesões esqueléticas é essencial para um diagnóstico acurado e o devido tratamento. Esse pode ser um desafio em pacientes politraumatizados ou idosos no cenário do trauma, entretanto, deve-se atentar para ter o máximo de informações possíveis em relação ao mecanismo das lesões. Em relação ao mecanismo do trauma e às lesões mais comumente associadas, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Em pacientes ejetados de veículos, as lesões mais comumente associadas são fraturas de quadril e fêmur.
  2. B) Em pacientes com queda e altura, as lesões mais comumente encontradas são lesões em calcâneos, fratura de platô tibial, fraturas em torno do quadril e fratura vertebral por compressão axial.
  3. C) Pacientes vítimas de queda com a mão espalmada apresentam maior risco de fratura proximal do rádio.
  4. D) Pacientes vítimas de acidente automobilístico com colisão lateral apresentam maior risco de lesão de vísceras abdominais e fratura em livro aberto.

Pérola Clínica

Queda de altura → Lesões por compressão axial: calcâneo, platô tibial, quadril, coluna vertebral.

Resumo-Chave

Quedas de altura transmitem energia axial através dos membros inferiores e coluna, resultando em fraturas por compressão. O calcâneo, platô tibial, fêmur (quadril) e vértebras são as áreas mais suscetíveis a esse tipo de lesão devido à absorção do impacto.

Contexto Educacional

A avaliação do paciente traumatizado exige uma abordagem sistemática, e a obtenção de uma história detalhada sobre o mecanismo do trauma é um pilar fundamental para o diagnóstico acurado de lesões esqueléticas. Em pacientes politraumatizados ou idosos, onde a comunicação pode ser limitada, a compreensão do mecanismo de lesão torna-se ainda mais crítica para antecipar e identificar lesões que podem não ser imediatamente óbvias. Diferentes mecanismos de trauma estão associados a padrões específicos de lesões. Por exemplo, em quedas de altura, a energia do impacto é transmitida axialmente através do corpo. Os pés são o primeiro ponto de contato, tornando as fraturas de calcâneo muito comuns. A força continua ascendendo, podendo causar fraturas do platô tibial (joelho), fraturas em torno do quadril (cabeça do fêmur, acetábulo) e, notavelmente, fraturas vertebrais por compressão axial, especialmente na coluna toracolombar. Outros exemplos incluem pacientes ejetados de veículos, que geralmente sofrem lesões múltiplas e complexas, não se limitando a fraturas de quadril e fêmur, mas incluindo trauma cranioencefálico, torácico e abdominal. Acidentes automobilísticos com colisão lateral tendem a causar lesões na pelve, fêmur e tórax lateral, não necessariamente fratura em livro aberto (que é mais comum em trauma por compressão anteroposterior da pelve). O conhecimento desses padrões permite uma busca mais direcionada por lesões e um manejo mais eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são as lesões mais comuns em pacientes que sofrem quedas de altura?

Em quedas de altura, as lesões mais comuns são fraturas por compressão axial, afetando calcâneos, platô tibial, fêmur (especialmente em torno do quadril) e fraturas vertebrais por compressão.

Por que o calcâneo e a coluna vertebral são frequentemente lesionados em quedas de altura?

O calcâneo é o primeiro osso a absorver o impacto axial da queda. A energia é então transmitida para cima, através da tíbia, fêmur e coluna vertebral, resultando em fraturas por compressão nessas regiões.

Como o mecanismo de trauma auxilia no diagnóstico de lesões esqueléticas?

O conhecimento do mecanismo de trauma permite ao médico antecipar as lesões potenciais, direcionar o exame físico e os exames de imagem, e evitar o diagnóstico de lesões ocultas, especialmente em pacientes politraumatizados.

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