HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Vítima de trauma perfurante por arma branca no tórax esquerdo, logo abaixo do mamilo, é admitido com pressão arterial normal e FC de 112 bpm. Não há relato nem se percebem outros ferimentos ao exame. O FAST evidencia líquido no pericárdio e a punção pericárdica subxifóidea é positiva para sangue. Após a punção o paciente segue estável. A próxima conduta necessária é:
Trauma torácico perfurante + tamponamento cardíaco → mesmo com melhora pós-pericardiocentese, exploração cirúrgica é mandatória.
Em trauma perfurante de tórax com evidência de tamponamento cardíaco, mesmo que a pericardiocentese inicial estabilize o paciente, a exploração cirúrgica (toracotomia) é imperativa. Isso ocorre porque a punção é uma medida temporária e não trata a lesão cardíaca subjacente, que pode sangrar novamente ou levar a outras complicações.
O trauma perfurante do tórax, especialmente na região precordial ou "caixa torácica", representa uma emergência médica grave com alto potencial de morbimortalidade. Ferimentos nesta área podem lesar estruturas vitais como o coração, grandes vasos, pulmões e esôfago. O tamponamento cardíaco, uma complicação comum de ferimentos cardíacos, ocorre quando o acúmulo de sangue no saco pericárdico impede o enchimento diastólico adequado do coração, levando a choque obstrutivo. A fisiopatologia do tamponamento cardíaco é caracterizada por uma elevação da pressão intrapericárdica, que comprime as câmaras cardíacas e reduz o débito cardíaco. A tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular e abafamento de bulhas) é um sinal clássico, mas nem sempre presente. O FAST é uma ferramenta diagnóstica rápida e eficaz para detectar líquido no pericárdio. A pericardiocentese subxifóidea é uma medida terapêutica inicial que pode aliviar temporariamente o tamponamento, estabilizando o paciente. No entanto, a pericardiocentese não é curativa para um ferimento cardíaco. A lesão subjacente continua presente e pode sangrar novamente. Portanto, após a estabilização inicial com pericardiocentese, a conduta definitiva é a exploração cirúrgica (toracotomia) para identificar e reparar a lesão cardíaca. A toracotomia de emergência permite o controle direto do sangramento e a sutura da lesão, sendo crucial para a sobrevida do paciente.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é crucial para identificar rapidamente a presença de líquido no pericárdio (sugerindo tamponamento cardíaco) ou no abdome, guiando condutas emergenciais em pacientes traumatizados.
A pericardiocentese é indicada como medida temporária e salvadora de vida em pacientes com tamponamento cardíaco hemodinamicamente instáveis devido a trauma, para aliviar a pressão e permitir tempo para a cirurgia definitiva.
A exploração cirúrgica (toracotomia) é necessária para identificar e reparar a lesão cardíaca subjacente, que é a causa do sangramento. A pericardiocentese apenas drena o sangue acumulado, mas não resolve a fonte do problema, que pode levar a novo tamponamento ou outras complicações.
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