HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023
Arthur 24 anos foi vítima de ferimento por faca em 7º espaço intercostal, linha axilar média esquerda. Está hemodinamicamente estável e sua radiografia de tórax é normal. Qual é a conduta para o caso?
Ferimento penetrante tórax baixo (4º-12º EIC), estável, RX normal → investigar lesão diafragmática/abdominal (ex: laparoscopia).
Ferimentos penetrantes na região toracoabdominal (entre o 4º espaço intercostal e a margem costal) podem ter lesão diafragmática ou abdominal associada, mesmo com radiografia de tórax normal e estabilidade hemodinâmica. A laparoscopia é uma opção diagnóstica e terapêutica para excluir essas lesões ocultas.
O trauma penetrante na região toracoabdominal é complexo devido à proximidade e interconexão das cavidades torácica e abdominal. A lesão diafragmática é uma preocupação particular, pois pode ser assintomática inicialmente e levar a hérnias diafragmáticas tardias com encarceramento de vísceras, o que pode ser fatal. A avaliação inicial deve sempre considerar essa possibilidade. Mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis e com radiografia de tórax normal, a suspeita de lesões ocultas deve ser alta, especialmente em ferimentos abaixo do 4º espaço intercostal. A avaliação cuidadosa da trajetória do ferimento e a realização de exames complementares, como a tomografia computadorizada ou a laparoscopia diagnóstica, são essenciais para um diagnóstico preciso. A laparoscopia diagnóstica é uma ferramenta valiosa, pois permite a visualização direta do diafragma e dos órgãos abdominais, possibilitando o diagnóstico e o reparo imediato de lesões. A escolha da conduta depende da estabilidade do paciente, da localização do ferimento, da suspeita clínica e dos recursos disponíveis no centro de trauma, sempre buscando minimizar o risco de lesões não diagnosticadas.
Ferimentos entre o 4º espaço intercostal e a margem costal são considerados toracoabdominais, pois o diafragma pode se elevar até o 4º EIC na expiração, e lesões nessa região podem penetrar tanto o tórax quanto o abdome, atingindo órgãos como fígado, baço ou estômago.
A laparoscopia diagnóstica é crucial para identificar lesões diafragmáticas ou de órgãos abdominais que podem ser ocultas e não detectadas por exames de imagem iniciais, permitindo intervenção precoce e evitando complicações tardias como hérnias diafragmáticas ou peritonite.
Além da radiografia de tórax, a tomografia computadorizada de tórax e abdome com contraste é um exame mais sensível para detectar lesões parenquimatosas, hemorragias e lesões diafragmáticas, especialmente em pacientes estáveis. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) pode ser útil para identificar líquido livre.
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