SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Uma moça de 19 anos foi vítima de ferimento por arma branca no 7o espaço intercostal, na linha axilar média direita. Está ansio- sa e parece assustada. Pulso: 110 bpm, rítmico; PA: 100 70 mmHg. A radiografia de tórax não mostra alterações. Próximo passo, em condições ideais:
FAB em zona toracoabdominal (4º EIC anterior ao 12º EIC posterior) → alta suspeita lesão diafragmática/abdominal.
Ferimentos penetrantes na zona de transição toracoabdominal (entre o 4º espaço intercostal anteriormente e o 12º posteriormente) têm alto risco de lesão diafragmática e de órgãos abdominais. Mesmo com radiografia de tórax normal e estabilidade hemodinâmica, a exploração cirúrgica (laparoscopia ou toracoscopia) é frequentemente indicada para diagnóstico definitivo.
Ferimentos penetrantes na zona de transição toracoabdominal representam um desafio diagnóstico significativo devido à proximidade e interconexão das cavidades torácica e abdominal. Esta região, que se estende aproximadamente do 4º espaço intercostal anteriormente ao 12º posteriormente, pode abrigar lesões diafragmáticas e de órgãos abdominais, mesmo na ausência de sinais óbvios ou alterações em exames iniciais como a radiografia de tórax. A importância clínica reside no alto potencial de lesões ocultas que podem levar a complicações graves se não forem identificadas e tratadas. A fisiopatologia envolve a passagem do objeto perfurante através do diafragma, que é uma estrutura muscular fina, permitindo a comunicação entre as cavidades. O diagnóstico de lesões diafragmáticas pode ser difícil, pois a radiografia de tórax pode ser normal em até 50% dos casos. Em pacientes hemodinamicamente estáveis com ferimentos nesta zona, a exploração cirúrgica, como a laparoscopia diagnóstica, é frequentemente o próximo passo mais adequado para visualizar diretamente o diafragma e os órgãos abdominais, descartando ou confirmando lesões. O tratamento de lesões diafragmáticas é cirúrgico, geralmente por laparoscopia ou laparotomia, com reparo primário da lesão. O prognóstico depende da detecção precoce e do reparo adequado, pois lesões não diagnosticadas podem levar a hérnias diafragmáticas tardias e estrangulamento de vísceras. A vigilância é crucial, e a decisão de explorar cirurgicamente deve ser baseada na alta suspeita clínica, mesmo com exames complementares normais.
A zona de transição toracoabdominal é a região do corpo que abrange a parte inferior do tórax e a parte superior do abdome, estendendo-se aproximadamente do 4º espaço intercostal anteriormente ao 12º posteriormente. Lesões penetrantes nesta área podem atingir tanto órgãos torácicos quanto abdominais.
A laparoscopia é indicada porque ferimentos penetrantes na zona toracoabdominal podem causar lesões diafragmáticas ou de órgãos abdominais que não são detectadas por radiografia de tórax ou mesmo por exames de imagem mais avançados. A laparoscopia permite a visualização direta e o reparo.
Os órgãos mais frequentemente lesados incluem o diafragma, fígado (lado direito), baço (lado esquerdo), estômago e intestino. A lesão diafragmática é particularmente insidiosa e pode ser assintomática inicialmente.
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