FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Masculino, vítima de ferimento por arma branca em região de transição tóraco-abdominal esquerda há duas horas. Assintomático, seus sinais vitais são: Pressão Arterial de 110/78 mmHg; Frequência Cardíaca de 112 bpm; Frequência Respiratória de 28 ipm. A ausculta pulmonar esquerda é discretamente diminuída em relação a direita. O exame físico abdominal é normal, sem dor ou sinais de peritonite. Foi realizado uma tomografia computadorizada de tórax e abdômen que evidenciou pneumotórax laminar a esquerda. A melhor conduta neste caso seria:
Ferimento tóraco-abdominal esquerdo + pneumotórax laminar → alto risco de lesão diafragmática/abdominal = videolaparoscopia.
Ferimentos penetrantes na zona de transição tóraco-abdominal (entre o 4º espaço intercostal e a linha axilar anterior até o umbigo) têm alta probabilidade de lesão diafragmática e visceral abdominal, mesmo com exames iniciais benignos. A videolaparoscopia é crucial para descartar essas lesões ocultas.
O trauma penetrante na região de transição tóraco-abdominal representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo devido à proximidade e interconexão das cavidades torácica e abdominal. Esta área, que se estende do 4º espaço intercostal anteriormente (ou 5º lateralmente) até a linha axilar anterior e o umbigo, é vulnerável a lesões diafragmáticas e de órgãos abdominais, mesmo com ferimentos aparentemente superficiais. A importância clínica reside na alta morbimortalidade associada a lesões não diagnosticadas, como hérnias diafragmáticas tardias ou peritonite por lesão de víscera oca. A fisiopatologia envolve a penetração do agente traumático através do diafragma, que pode ser difícil de visualizar completamente em exames de imagem iniciais, como a tomografia computadorizada, especialmente lesões pequenas. Sinais como pneumotórax laminar ou hemotórax podem ser indicativos de lesão diafragmática. O diagnóstico precoce é crucial, e a videolaparoscopia diagnóstica é uma ferramenta valiosa para explorar a cavidade abdominal e a superfície diafragmática, especialmente em pacientes hemodinamicamente estáveis sem indicação clara de laparotomia exploradora. O tratamento inicial frequentemente envolve a drenagem de pneumotórax ou hemotórax, se presentes. A videolaparoscopia é a conduta de escolha para a exploração da cavidade abdominal e reparo de lesões diafragmáticas ou viscerais. O prognóstico é melhor com o diagnóstico e tratamento precoces, evitando complicações como infecção, hérnia de órgãos abdominais para o tórax e insuficiência respiratória. A vigilância e reavaliação seriada são importantes, mas não substituem a exploração cirúrgica quando há alta suspeita de lesão diafragmática.
A zona de transição tóraco-abdominal é a área entre o 4º espaço intercostal anteriormente (ou 5º lateralmente) e a linha axilar anterior até o umbigo. Lesões nesta região podem afetar tanto o tórax quanto o abdome.
A videolaparoscopia é indicada para descartar lesões diafragmáticas e viscerais abdominais ocultas, que podem não ser evidentes em exames de imagem ou exame físico inicial, prevenindo complicações tardias como hérnias diafragmáticas.
Um pneumotórax laminar, especialmente no lado esquerdo, pode ser um sinal indireto de lesão diafragmática, pois a comunicação entre as cavidades pode permitir a passagem de ar. A investigação é fundamental.
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