UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015
Um paciente vítima de agressão por arma de fogo apresenta lesão transfixante do pescoço com orifício de entrada no lado direito e saída no lado oposto. Está acordado, lúcido e orientado, eupneico, e com pequeno sangramento pelos dois orifícios. Qual a conduta indicada?
Trauma penetrante de pescoço com lesão transfixante → cervicotomia exploradora, mesmo se estável.
Lesões transfixantes do pescoço, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais de comprometimento de via aérea ou neurológico, são consideradas de alto risco. A natureza transfixante indica que estruturas vitais foram atravessadas, justificando a exploração cirúrgica imediata para identificar e reparar lesões ocultas.
O trauma penetrante de pescoço é uma emergência cirúrgica que exige avaliação rápida e precisa devido à presença de múltiplas estruturas vitais em um espaço anatômico restrito. A abordagem inicial segue os princípios do ATLS, focando na estabilização da via aérea, controle de hemorragias e avaliação neurológica. A classificação das lesões cervicais em zonas (I, II, III) auxilia na tomada de decisão, embora a lesão transfixante seja uma indicação mais direta para exploração. Mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais 'duros' de lesão vascular ou de via aérea, uma lesão transfixante do pescoço é um forte indicativo de que o trajeto do projétil ou objeto atravessou o pescoço, podendo ter causado lesões ocultas que podem se manifestar tardiamente com complicações graves. A exploração cirúrgica (cervicotomia exploradora) permite a identificação e reparo precoce dessas lesões. A cervicotomia exploradora é a conduta mais segura para lesões transfixantes, pois exames complementares como angiotomografia podem não detectar todas as lesões (especialmente esofágicas e de via aérea) e atrasar a intervenção. A decisão de explorar é baseada no alto índice de suspeita e na necessidade de prevenir complicações como hemorragias tardias, fístulas ou infecções.
Sinais de alerta incluem instabilidade hemodinâmica, hematoma expansivo, sangramento ativo, estridor, disfonia, enfisema subcutâneo, disfagia e déficit neurológico focal. A presença de qualquer um desses sinais sugere lesão grave e necessidade de intervenção.
A lesão transfixante sugere que o projétil ou objeto atravessou o pescoço, com alta probabilidade de ter lesado estruturas vitais (vasos, via aérea, esôfago, nervos), mesmo que o paciente esteja estável inicialmente. A exploração cirúrgica permite identificar e reparar essas lesões precocemente.
As estruturas incluem artérias carótidas e vertebrais, veias jugulares, traqueia, esôfago, laringe, faringe, nervos cranianos e medula espinhal. A proximidade e vitalidade dessas estruturas tornam o trauma de pescoço de alta gravidade.
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