Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2020
Homem, 29 anos, foi vítima de ferimento por arma branca (faca de cozinha) no dorso à esquerda da região lombar. Avaliação na sala de emergência: A: conversando (hálito etílico), Sat. O2 95% ar ambiente; B: ausculta pulmonar sem alterações; C: FC 90 bpm e PA 140x70 mmHg; D: Glasgow 15; E: ferimento corto-contuso de 3,5cm na região lombar esquerda com sangramento em babação. Ausência de dor abdominal. Toque retal sem alterações e diurese clara. Exame de FAST negativo. Qual é a melhor conduta neste momento?
Trauma penetrante lombar em paciente estável → TC de abdome total para avaliar lesões retroperitoneais e órgãos sólidos.
Em pacientes hemodinamicamente estáveis com ferimento penetrante na região lombar, a tomografia computadorizada de abdome total com contraste é a melhor conduta. Ela permite uma avaliação detalhada de lesões em órgãos retroperitoneais (rins, ureteres, pâncreas, cólon ascendente/descendente) e órgãos sólidos intra-abdominais, que podem não ser detectadas pelo FAST ou pela exploração superficial do ferimento.
O trauma penetrante na região lombar representa um desafio diagnóstico devido à complexidade anatômica da área, que inclui o retroperitônio e a proximidade com a cavidade torácica e abdominal. A avaliação inicial, seguindo os princípios do ATLS, é crucial para estabilizar o paciente e identificar lesões com risco de vida. No caso apresentado, o paciente está hemodinamicamente estável (FC 90, PA 140x70, Glasgow 15), sem sinais de peritonite ou sangramento intra-abdominal significativo (FAST negativo, toque retal normal, diurese clara). No entanto, um ferimento por arma branca na região lombar esquerda levanta a preocupação com lesões em órgãos retroperitoneais, como o rim esquerdo, ureter, cólon descendente ou pâncreas, que podem não se manifestar imediatamente com sinais peritoneais ou líquido livre no FAST. A tomografia computadorizada de abdome total com contraste é a ferramenta diagnóstica de escolha para pacientes estáveis com ferimentos penetrantes na região lombar. Ela oferece uma visualização detalhada das estruturas retroperitoneais e intra-abdominais, permitindo identificar lesões de órgãos sólidos, vísceras ocas e vasos, que podem ser ocultas em outras modalidades de imagem ou exame físico. A laparoscopia ou laparotomia exploradora seriam consideradas em casos de instabilidade hemodinâmica, peritonite ou evidência clara de lesão que exija intervenção cirúrgica imediata, o que não é o caso aqui.
A região lombar é complexa, abrangendo estruturas torácicas inferiores, abdominais e retroperitoneais. Ferimentos nesta área podem lesar rins, ureteres, cólon ascendente/descendente, pâncreas, vasos maiores e até diafragma, exigindo uma investigação aprofundada.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é excelente para detectar líquido livre intraperitoneal, mas tem baixa sensibilidade para lesões retroperitoneais, lesões de vísceras ocas (como o cólon) e lesões diafragmáticas, que são comuns em traumas lombares.
A exploração local do ferimento pode ser útil para determinar a profundidade e a violação do peritônio em ferimentos abdominais anteriores. No entanto, em ferimentos lombares, devido à complexidade anatômica e ao risco de lesões retroperitoneais, a exploração local superficial é insuficiente e pode ser enganosa.
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