Trauma Pélvico Instável: Manejo do Hematoma Retroperitoneal

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025

Enunciado

Homem, 55 anos, vítima de queda de moto, dá entrada no Hospital de Trauma, com vias aéreas pérvias, ventilando bem, FC 110bpm e PA 100x 60mmHg (após 2000ml de soro ringer lactato) e Glasgow de 14. Refere dor em região hipogástrica. Radiografia do tórax normal e da bacia com fratura dos elementos posteriores da pelve. Sobre este caso, marque a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) De imediato, deverá ser passado sonda vesical para avaliação do débito urinário
  2. B) Fratura dos elementos posteriores da pelve estão frequentemente associados aos sangramentos de origem venosos, dificilmente controlados com embolização
  3. C) Devido à alta incidência de lesões intra-abdominais associadas, deve ser realizada uma ultrassonografia FAST ou um LPD infraumbilical
  4. D) Se houver indicação clara para a exploração abdominal, o hematoma pélvico não deve ser explorado

Pérola Clínica

Trauma pélvico instável + indicação de laparotomia → NÃO explorar hematoma retroperitoneal pélvico para evitar descompressão.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma pélvico e instabilidade hemodinâmica, a exploração cirúrgica do hematoma retroperitoneal pélvico durante uma laparotomia deve ser evitada. Abrir o retroperitônio pode desfazer o efeito de tamponamento natural, exacerbando o sangramento e tornando-o incontrolável. O controle do sangramento pélvico deve ser feito por métodos externos (faixa pélvica, fixador externo) ou angiografia.

Contexto Educacional

O trauma pélvico é uma lesão de alta energia, frequentemente associada a sangramentos volumosos e lesões de órgãos adjacentes, como bexiga, uretra e intestino. A instabilidade hemodinâmica em pacientes com fratura pélvica é uma preocupação crítica, indicando sangramento ativo que pode ser de origem venosa (mais comum) ou arterial. O manejo inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. A fratura dos elementos posteriores da pelve, como sacro e ilíaco, está particularmente associada a sangramentos significativos devido à rica vascularização da região. A estabilização externa da pelve (com faixa pélvica ou fixador externo) é uma medida inicial importante para reduzir o volume do anel pélvico e promover o tamponamento do sangramento. A avaliação de lesões associadas, como as intra-abdominais, é realizada com exames como o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma). Um ponto crucial no manejo é a decisão sobre a exploração cirúrgica. Se houver indicação clara para laparotomia exploradora (por exemplo, lesão de órgão sólido intra-abdominal com sangramento ativo), o hematoma retroperitoneal associado à fratura pélvica geralmente não deve ser explorado. A abertura do retroperitônio pode desestabilizar o coágulo formado, levando a um sangramento maciço e incontrolável. O controle do sangramento pélvico é preferencialmente realizado por métodos menos invasivos, como a angiografia com embolização, ou por fixação externa da pelve. Residentes devem dominar essa abordagem para evitar iatrogenias e otimizar o prognóstico do paciente traumatizado.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de fratura pélvica e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial inclui estabilização da pelve com faixa pélvica ou lençol, reposição volêmica agressiva, e investigação da fonte do sangramento, que pode ser pélvica ou intra-abdominal.

Por que não se deve passar sonda vesical de imediato em trauma pélvico?

Não se deve passar sonda vesical de imediato se houver suspeita de lesão uretral (sangue no meato, hematoma escrotal/labial, próstata alta). Nesses casos, um uretrograma retrógrado deve ser realizado primeiro para evitar agravar uma lesão parcial.

Quando a embolização arterial é indicada em fraturas pélvicas?

A embolização arterial é indicada para controlar sangramentos arteriais ativos em fraturas pélvicas, especialmente em pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente após medidas iniciais de ressuscitação e estabilização pélvica.

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