Trauma Pélvico: Manejo de Lesões do Trato Urinário Inferior

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021

Enunciado

Diante de um paciente vítima de trauma pélvico e com suspeita de lesão do trato urinário inferior, assinale a alternativa que apresenta a conduta INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A cateterização imediata deve ser realizada quando há suspeita de ruptura contusa da bexiga.
  2. B) A presença de sangue no meato uretral ou o cateter uretral não passar facilmente indicam a realização de uma uretrografia.
  3. C) As lesões do colo vesical indicam reparo cirúrgico imediato.
  4. D) As lesões extraperitoniais contusas, quando indicado, devem ser reparadas por suturas extravesicais e o hematoma pélvico perivesical deve ser drenado

Pérola Clínica

Trauma pélvico + sangue no meato/cateter não passa → Uretrografia retrógrada ANTES de cateterizar. Hematoma pélvico NÃO drenar.

Resumo-Chave

Em trauma pélvico com suspeita de lesão uretral (sangue no meato, incapacidade de passar cateter), a uretrografia retrógrada é mandatória antes de qualquer tentativa de cateterização. Lesões extraperitoneais da bexiga são geralmente tratadas conservadoramente, e a drenagem de hematomas pélvicos perivesicais é contraindicada devido ao risco de sangramento e infecção.

Contexto Educacional

O trauma pélvico frequentemente está associado a lesões do trato urinário inferior, incluindo uretra e bexiga, devido à proximidade anatômica e à força necessária para causar fraturas pélvicas. A identificação e o manejo adequados dessas lesões são cruciais para prevenir complicações como incontinência, disfunção erétil e infecções urinárias recorrentes. A avaliação inicial deve incluir a busca por sinais de lesão uretral antes de qualquer tentativa de cateterização. A suspeita de lesão uretral é levantada pela presença de sangue no meato uretral, incapacidade de urinar, hematoma perineal ou escrotal, ou dificuldade em passar um cateter. Nesses casos, a uretrografia retrógrada é o exame diagnóstico padrão-ouro e deve ser realizada antes de qualquer tentativa de cateterização, para evitar agravar uma lesão parcial. Lesões do colo vesical, por sua vez, são consideradas mais graves e geralmente requerem reparo cirúrgico imediato devido ao risco de incontinência. As rupturas de bexiga podem ser intraperitoneais ou extraperitoneais. As intraperitoneais, frequentemente associadas a trauma por desaceleração com bexiga cheia, geralmente requerem reparo cirúrgico. As rupturas extraperitoneais contusas, por outro lado, são comumente manejadas de forma conservadora com drenagem vesical por cateter, exceto em situações específicas. É fundamental ressaltar que a drenagem de hematomas pélvicos perivesicais em lesões extraperitoneais é geralmente contraindicada, pois pode desestabilizar o coágulo, aumentar o sangramento e o risco de infecção.

Perguntas Frequentes

Quando se deve suspeitar de lesão uretral em um paciente com trauma pélvico?

A suspeita de lesão uretral deve surgir na presença de sangue no meato uretral, incapacidade de urinar, dor suprapúbica, hematoma perineal ou escrotal, ou quando um cateter uretral não consegue ser passado facilmente.

Qual o exame diagnóstico inicial para lesão uretral em trauma?

A uretrografia retrógrada é o exame diagnóstico de escolha para avaliar a integridade da uretra em casos de suspeita de lesão, devendo ser realizada antes de qualquer tentativa de cateterização uretral.

Qual a conduta para rupturas extraperitoneais contusas da bexiga?

A maioria das rupturas extraperitoneais contusas da bexiga pode ser tratada conservadoramente com drenagem vesical contínua por cateter uretral por 7 a 14 dias. O reparo cirúrgico é reservado para casos específicos, como grandes lacerações ou presença de fragmentos ósseos na bexiga.

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