Trauma Pélvico Instável: Diagnóstico e Conduta de Emergência

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 35 anos, vítima de queda de moto, chega ao pronto-socorro cerca de 25 minutos após a queda. Está falando e sabe o que aconteceu. Após ter recebido 1000 mL de solução fisiológica e duas bolsas de sangue tipo O negativo, seus dados vitais são: FC: 140 bpm; FR: 32 irpm; PA: 80  60 mmHg. Queixa-se de dor abdominal. A radiografia de tórax é normal e a radio- grafia de bacia mostra fratura dos quatro ramos da pelve e diástase de sínfise púbica  2,5 cm, além de disjunção sacroilíaca  1 cm. Conduta subsequente mais adequada:

Alternativas

  1. A) Tomografia de corpo inteiro.
  2. B) Arteriografia para embolização das artérias hipogástricas.
  3. C) FAST (focused assessment with sonography for trauma), tamponamento pélvico pré-peritoneal e fixação externa de bacia.
  4. D) Laparotomia exploradora com ligadura das artérias ilíacas internas.
  5. E) Laparotomia exploradora xifopúbica.

Pérola Clínica

Trauma pélvico instável com choque refratário → FAST, estabilização pélvica e controle hemorrágico.

Resumo-Chave

Paciente com trauma pélvico grave e instabilidade hemodinâmica refratária à reposição volêmica requer intervenção rápida. O FAST é essencial para descartar sangramento intra-abdominal concomitante. A fixação externa da bacia e o tamponamento pélvico pré-peritoneal são medidas eficazes para controlar o sangramento de origem pélvica, que é frequentemente venoso ou ósseo. A arteriografia com embolização é uma opção para sangramento arterial persistente.

Contexto Educacional

O trauma pélvico é uma lesão grave, frequentemente associada a mecanismos de alta energia, como quedas de moto. A principal complicação e causa de mortalidade é a hemorragia maciça, que pode levar a choque hipovolêmico refratário. A instabilidade hemodinâmica persistente, mesmo após reposição volêmica inicial com cristaloides e hemotransfusão, indica sangramento ativo e contínuo, exigindo intervenções rápidas e eficazes. A radiografia de bacia revelando fraturas dos quatro ramos, diástase de sínfise púbica e disjunção sacroilíaca confirma uma lesão pélvica grave e instável. A conduta subsequente deve focar no controle da hemorragia e na estabilização do paciente. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é a primeira etapa para avaliar a presença de sangramento intra-abdominal, que pode coexistir com o sangramento pélvico. A fixação externa da bacia é fundamental para reduzir o volume da pelve, estabilizar as fraturas e, consequentemente, diminuir o sangramento de origem óssea e venosa. O tamponamento pélvico pré-peritoneal é uma técnica eficaz para comprimir os vasos pélvicos e controlar a hemorragia. A arteriografia com embolização das artérias hipogástricas é uma opção para controlar sangramentos arteriais persistentes, mas geralmente é realizada após a estabilização mecânica da pelve e, se o sangramento arterial for confirmado ou suspeito. A laparotomia exploradora xifopúbica é indicada se o FAST for positivo para sangramento intra-abdominal significativo ou se houver outras indicações de lesão visceral, mas não é a primeira medida para controle de sangramento pélvico isolado, que é predominantemente venoso ou ósseo. A combinação de FAST, estabilização pélvica e tamponamento é a abordagem mais adequada para este cenário de choque refratário por trauma pélvico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente com trauma pélvico?

Sinais incluem taquicardia persistente (>120 bpm), hipotensão (PA sistólica <90 mmHg), má perfusão periférica, rebaixamento do nível de consciência e resposta inadequada à reposição volêmica inicial.

Por que o FAST é importante no trauma pélvico instável?

O FAST é crucial para identificar rapidamente a presença de líquido livre (sangue) na cavidade abdominal, que pode indicar uma lesão visceral concomitante e exigir laparotomia, ou para confirmar que o sangramento é predominantemente pélvico.

Qual a importância da fixação externa e do tamponamento pélvico pré-peritoneal no trauma pélvico?

A fixação externa da bacia e o tamponamento pélvico pré-peritoneal são medidas essenciais para estabilizar a fratura pélvica, reduzir o volume da cavidade pélvica e comprimir os vasos sangrantes (principalmente venosos e ósseos), controlando a hemorragia e melhorando a estabilidade hemodinâmica.

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