PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Paciente vítima de queda de altura, cerca de 4 metros. À admissão, apresentava-se hipocorado, taquicárdico, queixando dor na bacia, no dorso e no calcâneo (que apresentava deformidade). Ao exame físico, foram observadas instabilidade à palpação da bacia e equimose perineal. Durante a avaliação primária está ERRADO:
Suspeita de lesão uretral (equimose perineal, instabilidade pélvica) → NÃO cateterizar antes de afastar lesão uretral.
Em pacientes vítimas de trauma com suspeita de fratura pélvica e sinais de lesão uretral (como equimose perineal ou sangue no meato), o cateterismo vesical de demora é contraindicado até que a integridade da uretra seja confirmada, geralmente por uretrografia retrógrada. A tentativa de cateterização pode converter uma lesão parcial em completa.
O trauma pélvico é uma lesão de alta energia, frequentemente associada a politrauma e com potencial para sangramento maciço e lesões de órgãos adjacentes, incluindo o trato geniturinário. A avaliação primária, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), é crucial para identificar e tratar condições com risco de vida. A instabilidade pélvica e a equimose perineal são fortes indicativos de fratura pélvica, que pode estar associada a lesões uretrais em até 10-25% dos casos, especialmente em homens. O reconhecimento precoce dessas lesões é vital para evitar complicações. A fisiopatologia da lesão uretral em trauma pélvico geralmente envolve forças de cisalhamento que comprimem e esticam a uretra contra a sínfise púbica. Os sinais de alerta, como sangue no meato uretral, equimose perineal e próstata alta ao toque retal, devem ser ativamente procurados. Nesses casos, a realização de um cateterismo vesical de demora é estritamente contraindicada antes de se afastar a lesão uretral por meio de uma uretrografia retrógrada. A passagem de um cateter pode converter uma lesão parcial em completa, aumentando a morbidade e a complexidade do reparo. O manejo inicial do trauma pélvico inclui a estabilização da bacia com enfaixamento ou fixador externo para controlar o sangramento e a realização do ultrassom FAST para identificar hemorragia intra-abdominal. A estabilização da coluna cervical é padrão até que se descarte lesão raquimedular. A monitorização do débito urinário é importante, mas deve ser feita com segurança, utilizando métodos alternativos (como punção suprapúbica) se houver contraindicação ao cateterismo uretral. O tratamento definitivo da lesão uretral varia de acordo com sua extensão e localização.
Sinais de alerta incluem sangue no meato uretral, equimose perineal ou escrotal, hematoma suprapúbico, incapacidade de urinar e próstata alta ou não palpável ao toque retal. A instabilidade pélvica também aumenta a suspeita.
O cateterismo é contraindicado porque pode transformar uma lesão uretral parcial em uma lesão completa, aumentando o risco de complicações como estenose uretral, infecção e disfunção sexual. A integridade da uretra deve ser avaliada antes.
A uretrografia retrógrada é o exame de escolha para diagnosticar lesões uretrais. Ela permite visualizar extravasamento de contraste, indicando a localização e extensão da lesão, e deve ser realizada antes de qualquer tentativa de cateterismo.
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