Trauma Pélvico: Quando NÃO Cateterizar a Bexiga?

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Paciente vítima de queda de altura, cerca de 4 metros. À admissão, apresentava-se hipocorado, taquicárdico, queixando dor na bacia, no dorso e no calcâneo (que apresentava deformidade). Ao exame físico, foram observadas instabilidade à palpação da bacia e equimose perineal. Durante a avaliação primária está ERRADO:

Alternativas

  1. A) Fazer o enfaixamento pélvico, antes de confeccionar a radiografia da bacia
  2. B) Manter a estabilização da coluna até que se possa afastar traumatismo raquimedular
  3. C) Realizar cateterismo vesical de demora, para monitorizar o débito urinário
  4. D) Realizar ultrasso Fast, em busca de causas para o choque hemorrágico

Pérola Clínica

Suspeita de lesão uretral (equimose perineal, instabilidade pélvica) → NÃO cateterizar antes de afastar lesão uretral.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de trauma com suspeita de fratura pélvica e sinais de lesão uretral (como equimose perineal ou sangue no meato), o cateterismo vesical de demora é contraindicado até que a integridade da uretra seja confirmada, geralmente por uretrografia retrógrada. A tentativa de cateterização pode converter uma lesão parcial em completa.

Contexto Educacional

O trauma pélvico é uma lesão de alta energia, frequentemente associada a politrauma e com potencial para sangramento maciço e lesões de órgãos adjacentes, incluindo o trato geniturinário. A avaliação primária, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), é crucial para identificar e tratar condições com risco de vida. A instabilidade pélvica e a equimose perineal são fortes indicativos de fratura pélvica, que pode estar associada a lesões uretrais em até 10-25% dos casos, especialmente em homens. O reconhecimento precoce dessas lesões é vital para evitar complicações. A fisiopatologia da lesão uretral em trauma pélvico geralmente envolve forças de cisalhamento que comprimem e esticam a uretra contra a sínfise púbica. Os sinais de alerta, como sangue no meato uretral, equimose perineal e próstata alta ao toque retal, devem ser ativamente procurados. Nesses casos, a realização de um cateterismo vesical de demora é estritamente contraindicada antes de se afastar a lesão uretral por meio de uma uretrografia retrógrada. A passagem de um cateter pode converter uma lesão parcial em completa, aumentando a morbidade e a complexidade do reparo. O manejo inicial do trauma pélvico inclui a estabilização da bacia com enfaixamento ou fixador externo para controlar o sangramento e a realização do ultrassom FAST para identificar hemorragia intra-abdominal. A estabilização da coluna cervical é padrão até que se descarte lesão raquimedular. A monitorização do débito urinário é importante, mas deve ser feita com segurança, utilizando métodos alternativos (como punção suprapúbica) se houver contraindicação ao cateterismo uretral. O tratamento definitivo da lesão uretral varia de acordo com sua extensão e localização.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão uretral em um paciente com trauma pélvico?

Sinais de alerta incluem sangue no meato uretral, equimose perineal ou escrotal, hematoma suprapúbico, incapacidade de urinar e próstata alta ou não palpável ao toque retal. A instabilidade pélvica também aumenta a suspeita.

Por que o cateterismo vesical é contraindicado em caso de suspeita de lesão uretral?

O cateterismo é contraindicado porque pode transformar uma lesão uretral parcial em uma lesão completa, aumentando o risco de complicações como estenose uretral, infecção e disfunção sexual. A integridade da uretra deve ser avaliada antes.

Qual é o exame de escolha para diagnosticar lesão uretral em trauma?

A uretrografia retrógrada é o exame de escolha para diagnosticar lesões uretrais. Ela permite visualizar extravasamento de contraste, indicando a localização e extensão da lesão, e deve ser realizada antes de qualquer tentativa de cateterismo.

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