UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Homem, 19a, condutor de motocicleta, tem uma colisão frontal contra anteparo fixo. É trazido pelo atendimento pré-hospitalar para Unidade de Pronto Atendimento com colar cervical e imobilizado em prancha longa. Na admissão queixa-se de dor na região de abdome inferior. Exame físico: escala de coma de Glasgow=15; pupilas isofotorreagentes; PA=94x62mmHg; FC=122bpm; FR=18irpm; oximetria de pulso=95% (ar ambiente); pescoço/tórax sem alterações; abdome/pelve: palpação dolorosa da sínfise púbica com afastamento em torno de 3cm, dor à palpação e compressão laterais da pelve, presença de hematoma escrotal. Foram realizados: oferta de O2=12L/min por máscara não reinalante; punção de dois acessos venosos periféricos com cateteres calibrosos; coleta de sangue e administração de 1.000mL de solução de Ringer com lactato aquecido e estabilização da pelve com lençol. O POSICIONAMENTO DESTE LENÇOL DEVE SER NA TOPOGRAFIA:
Fratura pélvica instável + choque → Estabilização pélvica com lençol na altura dos trocanteres maiores.
O paciente apresenta sinais de choque (PA 94x62mmHg, FC 122bpm) e instabilidade pélvica (afastamento da sínfise púbica, dor, hematoma escrotal) após trauma de alta energia. A estabilização pélvica com um lençol ou cinto pélvico é crucial para reduzir o volume do anel pélvico, diminuir o sangramento e estabilizar o paciente, devendo ser aplicada na altura dos trocanteres maiores para máxima eficácia.
O trauma pélvico de alta energia é uma lesão grave, frequentemente associada a fraturas complexas e sangramento maciço, que pode levar a choque hipovolêmico e alta mortalidade. A pelve é uma estrutura vascularizada, e sua instabilidade pode resultar em perda sanguínea significativa para o retroperitônio, comprometendo rapidamente a hemodinâmica do paciente. A suspeita de fratura pélvica instável surge em pacientes com trauma de alta energia, dor na região pélvica, sinais de choque e achados como afastamento da sínfise púbica ou hematoma perineal/escrotal. A fisiopatologia do choque é predominantemente hemorrágica, devido à lesão de vasos sanguíneos e sangramento ósseo, que pode ser difícil de controlar. A conduta inicial no atendimento pré-hospitalar e na sala de emergência, conforme o ATLS, inclui a estabilização pélvica imediata. Isso é feito com um lençol ou cinto pélvico, aplicado na altura dos trocanteres maiores dos fêmures, para comprimir o anel pélvico, reduzir o volume e controlar o sangramento. Concomitantemente, a reposição volêmica agressiva e o controle da via aérea são essenciais para a sobrevida do paciente.
Sinais de instabilidade pélvica incluem dor intensa à palpação da pelve, crepitação, afastamento da sínfise púbica, discrepância no comprimento dos membros inferiores, hematoma em períneo/escroto e sinais de choque hipovolêmico devido à perda sanguínea.
A estabilização pélvica, como o uso de um lençol ou cinto, reduz o volume do anel pélvico, o que pode diminuir significativamente o sangramento de vasos e ossos fraturados, ajudando a controlar o choque hemorrágico e a estabilizar o paciente.
O lençol ou cinto pélvico deve ser posicionado na altura dos trocanteres maiores dos fêmures. Essa é a região que permite a compressão mais eficaz do anel pélvico, otimizando a estabilização da fratura e o controle do sangramento.
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