Trauma Pélvico e Choque: Manejo da Fratura e Hemorragia

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 30 anos, vítima de acidente automobilístico, foi levado ao pronto-socorro, estando torporoso, com palidez cutânea, com sudorese, e PA 80x60 mmHg. A avaliação radiológica inicial evidenciou fratura do anel pélvico, com alargamento da sínfise pubiana maior que 3 cm. Foi realizado FAST com evidencia de líquido livre abdominal. Nesse caso clínico, entre as opções a seguir, a melhor conduta é:

Alternativas

  1. A) Estabilizar o anel pélvico e, em seguida, realizar a laparotomia exploradora.
  2. B) Estabilizar o anel pélvico e proceder à transfusão e à monitorização hemodinâmica rigorosa.
  3. C) Monitorização clínica, expansão volêmica e manejo conservador.
  4. D) Proceder à laparotomia exploradora e, posteriormente, estabilizar o anel pélvico.
  5. E) Proceder à embolização, seguida de estabilização externa do anel pélvico.

Pérola Clínica

Trauma com choque hipovolêmico + fratura pélvica instável + líquido livre abdominal → estabilizar pelve e laparotomia.

Resumo-Chave

Em um paciente vítima de trauma com sinais de choque hipovolêmico, fratura pélvica instável (alargamento da sínfise pubiana > 3 cm) e líquido livre no FAST, há evidência de sangramento ativo tanto na pelve quanto no abdome. A prioridade é controlar as fontes de sangramento, começando pela estabilização da pelve para reduzir o volume do anel e o sangramento, seguida pela laparotomia para explorar a fonte abdominal.

Contexto Educacional

O trauma pélvico é uma lesão complexa e potencialmente fatal, frequentemente associada a sangramentos maciços e choque hipovolêmico. A instabilidade do anel pélvico, evidenciada por um alargamento significativo da sínfise pubiana, indica uma lesão de alta energia com grande potencial hemorrágico. A presença de líquido livre abdominal no FAST em um paciente instável sugere sangramento intra-abdominal, que pode ser de origem pélvica ou de outras vísceras abdominais. O manejo inicial desses pacientes segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a avaliação e estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. No contexto de choque hipovolêmico e fratura pélvica instável, a estabilização do anel pélvico com uma cinta ou lençol é uma medida emergencial para reduzir o volume pélvico e o sangramento. Esta intervenção deve ser realizada precocemente, antes mesmo de outras intervenções cirúrgicas, se possível. Após a estabilização pélvica e a tentativa de ressuscitação volêmica, a persistência da instabilidade hemodinâmica ou a evidência de sangramento intra-abdominal significativo (como o FAST positivo) indicam a necessidade de laparotomia exploradora para identificar e controlar a fonte de sangramento abdominal. A sequência de estabilização pélvica seguida de laparotomia é crucial para otimizar o controle da hemorragia e melhorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da estabilização do anel pélvico em trauma?

A estabilização do anel pélvico é crucial em trauma para reduzir o volume do anel, o que diminui o sangramento de vasos e ossos fraturados e, consequentemente, ajuda a controlar o choque hipovolêmico. Isso é feito com cintas pélvicas ou lençóis.

Quando a laparotomia exploradora é indicada em trauma abdominal?

A laparotomia exploradora é indicada em trauma abdominal quando há sinais de peritonite, instabilidade hemodinâmica com FAST positivo, evisceração, ou lesão penetrante com suspeita de lesão visceral. É um procedimento para identificar e controlar fontes de sangramento ou contaminação.

Quais são os sinais de instabilidade pélvica?

Sinais de instabilidade pélvica incluem alargamento da sínfise pubiana (geralmente > 2,5-3 cm), fraturas de múltiplos ramos pélvicos, e instabilidade à palpação ou manobras. A instabilidade indica um alto risco de hemorragia grave.

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