FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Senhora de 68 anos, vítima de atropelamento, chega à emergência queixando-se de dor intensa em região de quadril onde, visivelmente, apresenta um hematoma supra púbico. Ela encontra-se instável hemodinamicamente e com dor à mobilização do quadril. O médico assistente rapidamente instala uma cinta pélvica e inicia o protocolo de transfusão maciça. O e-FAST é positivo, com líquido livre na cavidade peritoneal. Diante desta situação, a melhor conduta neste momento seria:
Trauma pélvico + instabilidade hemodinâmica + e-FAST positivo → Laparotomia exploradora para controle de sangramento intra-abdominal.
Em um paciente vítima de trauma com instabilidade hemodinâmica e e-FAST positivo (líquido livre na cavidade peritoneal), a prioridade é o controle do sangramento. A laparotomia exploradora é a conduta mais adequada para identificar e controlar a fonte do sangramento intra-abdominal, que pode estar contribuindo para a instabilidade, mesmo na presença de trauma pélvico.
O trauma pélvico é uma lesão grave frequentemente associada a acidentes de alta energia, como atropelamentos. A instabilidade hemodinâmica é uma complicação comum, principalmente devido ao sangramento significativo que pode ocorrer tanto do próprio anel pélvico quanto de lesões viscerais associadas. A epidemiologia mostra alta morbimortalidade, e a importância clínica reside na necessidade de uma abordagem rápida e sistemática para o controle da hemorragia e estabilização do paciente. A fisiopatologia da instabilidade hemodinâmica no trauma pélvico pode envolver sangramento de vasos pélvicos, fraturas ósseas e, crucialmente, lesões de órgãos intra-abdominais. O e-FAST (Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta diagnóstica rápida que detecta líquido livre na cavidade peritoneal, indicando sangramento. Quando um paciente está instável hemodinamicamente e o e-FAST é positivo, há uma forte suspeita de sangramento intra-abdominal significativo que requer intervenção imediata. O tratamento inicial inclui medidas de ressuscitação volêmica (protocolo de transfusão maciça, se necessário), estabilização da pelve com cinta pélvica e, no cenário de instabilidade e e-FAST positivo, a laparotomia exploradora é a conduta de escolha. Esta permite identificar e controlar a fonte do sangramento intra-abdominal. O 'pack extraperitoneal' pode ser uma técnica complementar para controlar sangramentos pélvicos difusos após a laparotomia. A arteriografia com angioembolização é uma opção para sangramentos pélvicos persistentes ou como tratamento primário em pacientes estáveis.
A laparotomia exploradora é indicada em pacientes traumatizados com instabilidade hemodinâmica e evidência de sangramento intra-abdominal (e-FAST positivo, lavagem peritoneal diagnóstica positiva) ou sinais de peritonite, para controle imediato da hemorragia e reparo de lesões viscerais.
O e-FAST (Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre na cavidade peritoneal, pericárdio e pneumotórax. É crucial para identificar sangramento interno e guiar a decisão de laparotomia em pacientes instáveis.
A cinta pélvica é utilizada para estabilizar fraturas pélvicas, reduzir o volume da pelve e, consequentemente, diminuir o sangramento de vasos e ossos. É uma medida inicial importante para o controle da hemorragia em fraturas pélvicas instáveis, mas não substitui a laparotomia se houver sangramento intra-abdominal significativo.
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