UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Considere as assertivas abaixo sobre trauma em paciente pediátrico.I - Devido às diferenças anatômicas, a intubação orotraqueal é mais difícil na criança do que no adulto, especialmente nas com menos de 3 anos de idade.II. - A medida da pressão arterial isoladamente não é adequada para avaliar choque hemorrágico, pois perdas volumosas (até 40% da volemia) podem não ser detectadas.III. - Para paciente com trauma abdominal, estável hemodinamicamente, com FAST (ultrassonografia focada para o trauma) positivo, está indicada tomografia computadorizada com contraste intravenoso.Quais são corretas?
Crianças compensam bem o choque, PA é sinal tardio; IOT mais difícil < 3 anos; FAST+ estável → TC abdome.
O trauma pediátrico possui particularidades anatômicas e fisiológicas. A intubação é mais desafiadora em lactentes. Crianças mantêm a pressão arterial por mais tempo, tornando a hipotensão um sinal tardio de choque. Em trauma abdominal pediátrico, FAST positivo em paciente estável indica TC com contraste para avaliação detalhada.
O trauma é a principal causa de morbimortalidade em crianças, e seu manejo exige conhecimento das particularidades anatômicas e fisiológicas pediátricas. A via aérea da criança é diferente da do adulto, com características que tornam a intubação orotraqueal mais desafiadora, especialmente em menores de 3 anos. Isso inclui uma língua proporcionalmente maior, epiglote mais longa e em forma de ômega, e laringe mais anterior e cefálica, exigindo técnicas e equipamentos adaptados. No que tange ao choque hemorrágico, as crianças possuem uma notável capacidade de compensação fisiológica. Elas podem perder até 25-30% da volemia antes de apresentar hipotensão, tornando a pressão arterial um indicador tardio e grave de choque. Sinais como taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos periféricos fracos e alteração do nível de consciência são mais precoces e devem guiar a avaliação e o início da reposição volêmica. Para o trauma abdominal pediátrico, a avaliação é guiada pela estabilidade hemodinâmica. Em pacientes estáveis com FAST (ultrassonografia focada para o trauma) positivo, a tomografia computadorizada com contraste intravenoso é o exame de escolha para identificar e graduar lesões de órgãos sólidos ou ocos, auxiliando na decisão entre manejo conservador ou cirúrgico. A irradiação deve ser considerada, mas o benefício diagnóstico supera o risco em casos selecionados.
Em crianças menores de 3 anos, a via aérea possui diferenças anatômicas como língua relativamente maior, epiglote mais longa e em forma de ômega, laringe mais anterior e cefálica, e traqueia mais curta e estreita, tornando a intubação mais desafiadora.
Devido à capacidade de compensação, a hipotensão é um sinal tardio. Sinais precoces incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos diminuídos ou ausentes, pele fria e pegajosa, e alteração do nível de consciência.
A TC com contraste intravenoso é indicada para pacientes pediátricos com trauma abdominal que estão hemodinamicamente estáveis e apresentam FAST (ultrassonografia focada para o trauma) positivo, ou seja, com presença de líquido livre na cavidade abdominal, para detalhar a extensão das lesões orgânicas.
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