PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020
Paciente do sexo feminino, 22 anos de idade, dá entrada na UPA do seu bairro, vítima de agressão física há uma hora. A paciente refere que, após discussão com a prima, recebeu um soco na boca e cursou um ferimento no lábio inferior com sangramento ativo. Nega comorbidades ou outros traumas. Refere dor no lábio inferior e sem outras queixas. Ao exame inicial: A: via aérea pérvia, nega dor cervical, SatO₂: 99%; B: Murmúrio vesicular bem distribuído sem ruídos adventícios, FR: 16ipm; C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 80bpm, PA: 126x82mmHg; D: Escala de coma de Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes; E: ferimento corto-contuso medindo 4cm em lábio inferior do lado esquerdo, acometendo pele e mucosa oral, bordas irregulares, lesão da musculatura sem perda de substância e apresentando sangramento ativo e pequena quantidade. Considerando o quadro, após o atendimento inicial, indique a conduta mais adequada.
Ferimento labial transfixante → Limpeza + Anestesia local + Sutura por planos (mucosa, músculo, pele).
Em pacientes estáveis com ferimentos faciais isolados, a prioridade após o ABCDE é a síntese primária para controle de sangramento e restauração funcional/estética.
O manejo de ferimentos faciais exige atenção meticulosa à anatomia funcional e estética. No caso do lábio, a integridade do músculo orbicular da boca é crucial para funções básicas como fala, deglutição e contenção salivar. Ferimentos que envolvem toda a espessura labial são classificados como transfixantes e requerem fechamento por planos. O atendimento deve sempre seguir a sistematização do ATLS, garantindo a estabilidade hemodinâmica e respiratória antes de focar na lesão específica. A síntese primária imediata é a conduta de escolha para ferimentos limpos ou passíveis de limpeza adequada, utilizando anestesia local infiltrativa (como lidocaína com vasoconstritor, se não houver contraindicação) para permitir o desbridamento e a sutura precisa.
A sutura deve priorizar o alinhamento da linha cutâneo-mucosa (vermelhão do lábio) para garantir a estética. Inicia-se frequentemente pelo alinhamento da borda do vermelhão, seguido pela sutura da mucosa ou do músculo orbicular da boca com fios absorvíveis para restaurar a competência esfincteriana, finalizando com a pele usando fios inabsorvíveis.
Geralmente é indicada em ferimentos transfixantes (que atravessam da pele à mucosa), lesões extensas com grande esmagamento tecidual, presença de corpos estranhos ou em pacientes imunocomprometidos, visando cobrir a flora polimicrobiana da cavidade oral, incluindo anaeróbios.
Não obrigatoriamente. Se o paciente estiver consciente (Glasgow 15), sem dor cervical à palpação, sem intoxicação e sem déficit neurológico focal (seguindo critérios como NEXUS ou Canadian C-Spine Rule), o RX de coluna cervical é dispensável.
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