Trauma Pancreático: Classificação AAST e Conduta

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino de 40 anos, morador de rua, usuário de drogas, foi encontrado em via pública, vítima de agressão física, com diversos golpes de socos e chutes na região do abdome superior e epigástrio. Foi atendido pelo SAMU e levado ao pronto-socorro sob protocolo ATLS, com vias aéreas pérvias, ausculta pulmonar sem alterações, PA 130 x 80 mmHg, FC = 89 bat/min, abdome plano, doloroso, sem sinais de peritonite. Exames laboratoriais com HB 12,0 e Amilase de 420. Foi, então, submetido a uma tomografia de abdome total, que identificou uma laceração entre a cabeça e o corpo do pâncreas, com lesão parenquimatosa e transecção distal, com lesão do ducto pancreático principal.Frente ao caso descrito, segundo a classificação da American Association for the Surgery of Trauma, o trauma de pâncreas deste paciente pode ser classificado como trauma grau

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) II.
  3. C) III.
  4. D) IV.
  5. E) V.

Pérola Clínica

Lesão ductal distal (à esquerda dos vasos mesentéricos) = Trauma pancreático Grau III.

Resumo-Chave

A classificação AAST define o Grau III como lesão parenquimatosa com envolvimento do ducto pancreático principal em sua porção distal (corpo ou cauda).

Contexto Educacional

O trauma pancreático é relativamente raro devido à sua localização retroperitoneal, mas apresenta alta morbimortalidade. A classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST) é fundamental para guiar a conduta: lesões Grau I e II geralmente permitem manejo conservador ou drenagem simples, enquanto lesões Grau III frequentemente exigem pancreatectomia distal. Neste caso clínico, a presença de 'transecção distal com lesão do ducto pancreático principal' fecha o diagnóstico de Grau III. É crucial que o residente identifique que a lesão do ducto é o divisor de águas entre o tratamento conservador e a necessidade de intervenção cirúrgica ressectiva ou derivativa.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar Grau II e III no trauma de pâncreas?

A diferenciação reside na integridade do ducto pancreático principal. No Grau II, há laceração parenquimatosa sem evidência de lesão ductal. No Grau III, ocorre a transecção distal ou lesão parenquimatosa com lesão confirmada do ducto principal, tipicamente à esquerda da veia mesentérica superior (corpo e cauda).

Qual a importância da localização da lesão no Grau IV?

No Grau IV, a lesão ductal ou transecção ocorre na porção proximal do pâncreas, ou seja, à direita da veia mesentérica superior, envolvendo a cabeça do pâncreas ou o processo uncinado. Isso altera drasticamente a complexidade cirúrgica e o prognóstico em comparação às lesões distais.

Qual o exame padrão-ouro para avaliar o ducto pancreático no trauma?

Embora a Tomografia Computadorizada (TC) com contraste seja o exame inicial no trauma estável, ela pode subestimar lesões ductais precoces. A Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) ou a Colangiorressonância (CPRM) são métodos mais sensíveis para confirmar a integridade do ducto principal quando há dúvida diagnóstica.

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