ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um jovem de 15 anos sofreu um trauma abdominal contuso em acidente automobilístico. Ao exame físico, apresenta dor abdominal epigástrica e tem os seguintes resultados de exames: hemograma com leucocitose de 10.200, níveis elevados de amilase sérica e uma tomografia computadorizada que mostra uma lesão no pâncreas com envolvimento do ducto pancreático principal. Diante desse quadro clínico, a abordagem mais apropriada para o diagnóstico e tratamento do paciente é:
Trauma pancreático + Lesão de ducto principal → Tratamento Cirúrgico (Laparotomia).
Lesões pancreáticas de alto grau (Grau III ou superior), que envolvem a ruptura do ducto principal, exigem intervenção cirúrgica para evitar fístulas e peritonite química.
O trauma pancreático é relativamente raro devido à localização retroperitoneal do órgão, mas apresenta alta morbimortalidade. No trauma contuso, o pâncreas é frequentemente comprimido contra a coluna vertebral (mecanismo de 'guidão de bicicleta' ou cinto de segurança), podendo sofrer desde contusões leves até a transecção completa. O manejo depende fundamentalmente da integridade ductal. Lesões à esquerda da veia mesentérica superior com ruptura ductal são tratadas com pancreatectomia distal (com ou sem esplenectomia). Lesões à direita ou que envolvem o complexo duodeno-pancreático são muito mais complexas e podem exigir drenagem ampla ou, raramente, duodenopancreatectomia em situações extremas.
A cirurgia é indicada em traumas pancreáticos quando há evidência de lesão do ducto pancreático principal (Classificação AAST Grau III, IV ou V). Lesões Grau I (contusão) e Grau II (laceração superficial sem lesão ductal) podem frequentemente ser manejadas de forma conservadora. A presença de instabilidade hemodinâmica ou outras lesões viscerais associadas também motiva a laparotomia imediata.
Níveis elevados de amilase sérica após trauma abdominal contuso sugerem lesão pancreática, mas não são patognomônicos nem específicos. A amilase pode estar normal nas primeiras horas após o trauma ou estar elevada por lesões de glândulas salivares ou duodeno. No entanto, uma amilase persistentemente alta ou em ascensão, associada a achados tomográficos, reforça a suspeita de dano parenquimatoso significativo.
A tomografia computadorizada com contraste é o padrão-ouro para avaliar o pâncreas no trauma. A classificação da AAST divide as lesões de I a V. O ponto crítico é a integridade do ducto de Wirsung: se a laceração atravessa mais de 50% da espessura da glândula ou se há transecção completa (especialmente à esquerda dos vasos mesentéricos), a lesão ductal é provável, classificando-se como Grau III e exigindo cirurgia.
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