Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Vítima de colisão de automóvel, um homem de 27 anos está hemodinamicamente estável. O exame abdominal revela dor à palpação de epigastro. A tomografia mostra pequena quantidade de líquido na região da cabeça do pâncreas, com pequena laceração que parece ser apenas do parênquima. Considerando o caso, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta.
Trauma pancreático em paciente estável com suspeita de lesão ductal → CPRE para diagnóstico e tratamento.
Em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma pancreático e suspeita de lesão ductal (mesmo que pequena laceração parenquimatosa com líquido adjacente), a pancreatografia endoscópica (CPRE) é a melhor conduta. Ela permite avaliar a integridade do ducto pancreático principal e, se necessário, realizar intervenções como a passagem de stent, evitando cirurgias desnecessárias.
O trauma pancreático é uma lesão abdominal grave, porém rara, que pode ser desafiadora no diagnóstico e manejo. A avaliação inicial de um paciente traumatizado sempre prioriza a estabilidade hemodinâmica. Em casos de pacientes estáveis, a tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para identificar lesões pancreáticas e outras lesões abdominais, mas pode subestimar a extensão da lesão ductal. A fisiopatologia da lesão pancreática envolve a compressão do órgão contra a coluna vertebral, resultando em lacerações ou contusões. A suspeita de lesão ductal é crucial, pois ela dita a conduta. A pancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE) é fundamental para confirmar a integridade do ducto pancreático principal e, se houver lesão, permite a drenagem ou a colocação de stent, minimizando a necessidade de cirurgia. A dosagem seriada de amilase e lipase, embora útil, não é suficiente para descartar lesão ductal. O tratamento do trauma pancreático varia conforme a estabilidade do paciente e a gravidade da lesão. Pacientes instáveis ou com lesões graves (como transecção do pâncreas) geralmente requerem laparotomia exploradora. Para lesões menores e pacientes estáveis, a observação clínica e a CPRE são as abordagens preferenciais. O prognóstico depende da extensão da lesão e da presença de lesões associadas, sendo o manejo adequado essencial para prevenir complicações como fístulas, pseudocistos e pancreatite.
Sinais de alerta incluem dor epigástrica, líquido peripancreático na tomografia e elevação de amilase/lipase. A estabilidade hemodinâmica permite uma investigação mais detalhada antes de uma intervenção invasiva.
A CPRE é a melhor conduta porque permite a visualização direta do ducto pancreático, identificando lesões que podem não ser evidentes na TC. Além disso, oferece a possibilidade de tratamento endoscópico, como a colocação de stent, preservando o pâncreas e evitando cirurgia.
Uma lesão ductal pancreática não tratada pode levar a complicações graves como fístula pancreática, pseudocisto, pancreatite crônica e infecção. O tratamento precoce da lesão ductal é crucial para prevenir essas sequelas.
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