MedEvo Simulado — Prova 2026
João, 24 anos, é levado à unidade de emergência após sofrer uma colisão de sua motocicleta contra um anteparo fixo, com impacto direto do guidão na região epigástrica. Na admissão, o paciente apresenta-se estável hemodinamicamente, com pressão arterial de 125/85 mmHg e frequência cardíaca de 82 bpm. O exame físico revela dor à palpação profunda em epigástrio e hipocôndrio esquerdo, porém sem sinais de irritação peritoneal. Uma Tomografia Computadorizada (TC) de abdome com contraste venoso foi realizada, demonstrando uma laceração profunda no corpo do pâncreas, que se estende por mais de 50% da espessura da glândula, com evidência clara de transecção completa do ducto pancreático principal à esquerda da veia mesentérica superior. Não foram identificadas outras lesões em órgãos sólidos ou pneumoperitônio. De acordo com a classificação da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) para lesões pancreáticas e a conduta preconizada, o próximo passo mais adequado é:
Lesão ductal distal (à esquerda da VMS) → Pancreatectomia Distal.
Lesões pancreáticas AAST grau III envolvem transecção do parênquima com lesão do ducto principal à esquerda dos vasos mesentéricos, exigindo ressecção cirúrgica distal.
O trauma pancreático é relativamente raro (menos de 5% dos traumas abdominais), mas apresenta alta morbidade devido às enzimas exócrinas. A classificação da AAST é o guia fundamental para a conduta: Graus I e II (contusão/laceração sem lesão ductal) permitem manejo conservador ou drenagem; Grau III (lesão ductal distal) exige pancreatectomia distal; Grau IV (lesão ductal proximal/cabeça) e Grau V (destruição maciça da cabeça) são desafios cirúrgicos complexos. Neste caso clínico, o mecanismo de trauma (guidão de bicicleta/moto) é clássico para compressão do pâncreas contra a coluna vertebral. A identificação tomográfica de transecção ductal em paciente estável direciona obrigatoriamente para a intervenção cirúrgica ressectiva distal, prevenindo a formação de pseudocistos e ascite pancreática.
A lesão de Grau III é definida como uma transecção distal do parênquima ou lesão parenquimatosa com envolvimento confirmado do ducto pancreático principal, localizada à esquerda da veia mesentérica superior (corpo ou cauda do pâncreas).
A conduta padrão para pacientes estáveis com lesão ductal à esquerda dos vasos mesentéricos é a laparotomia (ou laparoscopia em casos selecionados) com pancreatectomia distal, visando remover o tecido desvitalizado e prevenir fístulas pancreáticas graves.
Sim, em pacientes hemodinamicamente estáveis, a preservação esplênica (técnica de Warshaw ou com preservação dos vasos esplênicos) é recomendada para evitar os riscos de asplenia funcional, embora a prioridade no trauma seja o controle da lesão pancreática.
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