AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Um paciente jovem foi vítima de uma colisão auto x anteparo de alta energia. Estava sem cinto e a equipe de socorristas reportou que o volante do carro estava quebrado. Ao exame mostrou via aérea livre, MV + bilateral e simétrico, PA: 110x80 mmHg, FC: 95 bpm, FR: 22 mpm. Abdome flácido e doloroso difusamente, sem peritonite. Glasgow 15, pupilas ISO/FR, movimentando os 4 membros, sem déficits, sem sangramento externo e com escoriações na face. Realizou tomografia computadorizada de abdome que mostrou líquido retroperitoneal peripancreático, sem outras lesões. Em relação a esta lesão suspeita, sua investigação, evolução e prognóstico, assinale a assertiva correta:
Líquido retroperitoneal peripancreático no trauma contuso → Alta suspeição de lesão ductal pancreática.
O trauma pancreático é frequentemente oculto; a presença de líquido retroperitoneal na TC é um sinal de alerta, e a integridade do ducto principal define a necessidade cirúrgica.
O trauma pancreático ocorre em menos de 5% dos traumas abdominais, sendo mais comum em mecanismos contusos de alta energia (como o impacto contra o volante). A TC de abdome com contraste é o padrão-ouro, buscando sinais como edema, hematoma peripancreático ou líquido entre o pâncreas e a veia esplênica. A classificação da AAST orienta a conduta: lesões sem envolvimento ductal podem ser observadas, mas a suspeita de lesão ductal exige investigação adicional (CPRE ou Colangio-RM) ou exploração cirúrgica. O gabarito B indica uma visão clássica onde a suspeita de lesão significativa frequentemente leva à intervenção para evitar complicações graves.
A amilase sérica não é um marcador sensível nem específico para trauma pancreático imediato. Cerca de 25% a 40% dos pacientes com lesão pancreática grave podem apresentar amilase normal na admissão. Sua elevação costuma ocorrer de forma tardia, geralmente após 12 a 24 horas do evento. Portanto, uma amilase normal não exclui lesão, mas níveis persistentemente elevados ou em ascensão devem aumentar a suspeição clínica.
A integridade do ducto pancreático principal (Wirsung) é o divisor de águas no tratamento. Lesões graus I e II da AAST (contusões e lacerações superficiais sem lesão ductal) podem ser manejadas de forma conservadora. Lesões grau III (transecção distal com lesão ductal) geralmente exigem pancreatectomia distal, enquanto lesões graus IV e V (envolvendo a cabeça do pâncreas ou duodeno) requerem intervenções cirúrgicas complexas ou drenagem ampla.
A localização retroperitoneal do pâncreas protege o órgão, mas também mascara os sinais iniciais de lesão, levando a diagnósticos tardios. A morbidade está associada às complicações das enzimas pancreáticas exócrinas, como fístulas, abscessos, pseudocistos e sepse. A mortalidade precoce geralmente decorre de lesões vasculares associadas, enquanto a tardia está ligada a complicações infecciosas e falência de múltiplos órgãos.
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