Trauma Pancreático: Diagnóstico e Avaliação de Lesões

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Analise as afirmativas a seguir sobre trauma pancreático:I - Após um trauma abdominal a presença de lesão pancreática isolada não é comum, ao contrário, ela, na maioria das vezes, é acompanhada de lesões de outros órgãos.II - O segmento mais comumente acometido é o corpo pancreático.III - Quando a dosagem de amilase sérica está normal, pode-se descartar a possibilidade de trauma pancreático. Pode-se afirmar que está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

Alternativas

  1. A) II e III
  2. B) I
  3. C) II
  4. D) I e II

Pérola Clínica

Trauma pancreático isolado é raro; corpo é o segmento mais lesado; amilase normal NÃO descarta lesão.

Resumo-Chave

O trauma pancreático raramente ocorre de forma isolada, sendo frequentemente associado a lesões de outros órgãos abdominais. O corpo do pâncreas é o segmento mais comumente afetado devido à sua localização anatômica. A amilase sérica pode estar normal nas primeiras horas após o trauma, não sendo um marcador confiável para descartar lesão pancreática.

Contexto Educacional

O trauma pancreático é uma lesão abdominal grave, frequentemente associada a alta morbimortalidade devido à sua localização retroperitoneal e à proximidade com grandes vasos e outros órgãos vitais. Raramente ocorre de forma isolada, sendo comum a presença de lesões concomitantes em baço, fígado, duodeno e grandes vasos. A fisiopatologia do trauma pancreático envolve a compressão do órgão contra a coluna vertebral em traumas fechados ou a laceração direta em traumas penetrantes. O corpo do pâncreas é o segmento mais comumente acometido. O diagnóstico é desafiador, pois os sinais e sintomas iniciais podem ser inespecíficos. A amilase sérica, embora frequentemente solicitada, possui baixa sensibilidade e especificidade nas primeiras horas, não sendo capaz de descartar a lesão. A TC com contraste é o principal método de imagem, mas a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou a colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER) podem ser necessárias para avaliar a integridade do ducto pancreático principal. O tratamento varia desde o manejo conservador para lesões menores sem comprometimento ductal até a cirurgia complexa para lesões mais graves, como a ressecção pancreática ou a drenagem de coleções. O prognóstico depende da gravidade da lesão, da presença de lesões associadas e do tempo até o diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes

Quais são os mecanismos mais comuns de trauma pancreático?

O trauma pancreático pode ocorrer por trauma abdominal fechado (compressão contra a coluna vertebral) ou por trauma penetrante (ferimentos por arma branca ou projétil de arma de fogo).

Por que a amilase sérica não é um bom marcador para descartar trauma pancreático?

A amilase sérica pode estar normal nas primeiras horas após a lesão ou não se elevar em casos de lesão ductal completa, onde a enzima não extravasa para a corrente sanguínea, levando a falsos negativos.

Quais exames de imagem são úteis no diagnóstico do trauma pancreático?

A tomografia computadorizada (TC) com contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar o pâncreas e identificar lesões associadas, embora possa subestimar a extensão da lesão ductal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo