UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023
Menino de 8 anos refere que bateu algo no olho esquerdo em um arame e sentiu correr uma “água quente”. Exame ocular: não realizado devido ao blefaro-espasmo à esquerda. A conduta a ser realizada para encaminhar o paciente é:
Trauma ocular penetrante: Jejum, curativo oclusivo, repouso e profilaxia antitetânica.
A descrição de 'água quente' e o blefaroespasmo sugerem uma lesão penetrante ocular. Nesses casos, a conduta inicial visa proteger o olho de mais danos, prevenir infecção e preparar o paciente para uma possível cirurgia de urgência, sendo o jejum fundamental.
O trauma ocular é uma emergência oftalmológica que pode levar à perda permanente da visão se não for manejado corretamente. Em crianças, é frequentemente causado por objetos pontiagudos ou contusos, e a suspeita de perfuração ocular exige uma abordagem cautelosa e rápida. A descrição de 'água quente' pode indicar extravasamento de humor aquoso, um sinal de perfuração. A conduta inicial em caso de suspeita de trauma ocular penetrante é crucial. O paciente deve ser mantido em jejum para uma possível intervenção cirúrgica de urgência. Um curativo oclusivo, preferencialmente um protetor ocular rígido (tipo escudo), deve ser aplicado para evitar compressão e proteger o olho de novos traumas ou extrusão de conteúdo. O repouso é fundamental para minimizar o movimento ocular. A profilaxia antitetânica deve ser avaliada conforme o histórico vacinal do paciente e o tipo de lesão. Colírios e pomadas antibióticas não devem ser aplicados antes da avaliação oftalmológica especializada, pois podem dificultar o exame ou introduzir infecção em um olho perfurado. O encaminhamento rápido a um oftalmologista é imperativo para preservar a visão e evitar complicações.
Sinais de alerta incluem dor intensa, diminuição súbita da visão, presença de corpo estranho visível, pupila irregular, câmara anterior rasa, hifema, extrusão de tecido intraocular e blefaroespasmo intenso, que dificultam o exame.
O jejum é crucial para uma possível cirurgia de urgência, minimizando riscos anestésicos. O curativo oclusivo, sem compressão, protege o olho de traumas adicionais e evita a extrusão de conteúdo intraocular, mantendo a integridade até a avaliação especializada.
A profilaxia antitetânica deve ser avaliada em qualquer trauma com solução de continuidade da pele, especialmente se o objeto for contaminado ou houver risco de contaminação, como um arame. É uma medida preventiva importante para evitar o tétano.
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