UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Menino, 9 meses de idade, previamente hígido, passou a tarde com uma cuidadora e, ao chegar em casa, apresentava-se sonolento e não aceitou o jantar. Cerca de uma hora depois, foi trazido pela mãe ao PS com episódio de convulsão. Segundo a mãe, o paciente não apresentava febre, alterações de estado geral ou recusa alimentar anteriormente ao quadro. Após cessação do episódio convulsivo, observa-se criança não responsiva, com escoriações na face e no dorso. Assinale a alternativa que indica os exames necessários para elucidação diagnóstica.
Lactente com convulsão, sonolência e escoriações inexplicadas → suspeitar trauma não acidental e investigar lesões ocultas.
Em lactentes previamente hígidos com quadro neurológico agudo e sinais externos de trauma sem história clara, a suspeita de trauma não acidental é alta. Exames como TC de crânio, fundoscopia e raio-X de corpo inteiro são cruciais para identificar lesões ocultas.
O trauma não acidental pediátrico, ou abuso infantil, é uma causa significativa de morbimortalidade em crianças, especialmente lactentes. A suspeita clínica é fundamental, particularmente em quadros agudos neurológicos (como convulsões) sem febre ou história clara, associados a lesões externas inexplicadas. A identificação precoce é crucial para a proteção da criança e intervenção adequada. A fisiopatologia envolve lesões diretas por impacto, agitação ou negligência. O diagnóstico requer uma alta suspeita clínica e uma investigação abrangente. A história inconsistente ou ausente, lesões em locais atípicos (orelhas, pescoço, genitais), fraturas em diferentes estágios de consolidação e hemorragias retinianas são sinais de alerta. A avaliação deve ser multidisciplinar. O tratamento e manejo envolvem a proteção da criança, tratamento das lesões agudas e notificação às autoridades competentes. A investigação inclui exames de imagem como TC de crânio para avaliar lesões intracranianas, radiografias de corpo inteiro para fraturas ocultas e fundoscopia para hemorragias retinianas. O prognóstico depende da gravidade das lesões e da intervenção precoce.
Sinais incluem lesões em diferentes estágios de cicatrização, fraturas em locais atípicos (costelas, metáfises), hematomas em áreas incomuns, lesões orais e história inconsistente ou ausente.
A fundoscopia pode revelar hemorragias retinianas, um forte indicador de trauma craniano por agitação (síndrome do bebê sacudido), mesmo sem sinais externos de trauma na cabeça.
Tomografia de crânio para lesões cerebrais agudas, radiografias de corpo inteiro para fraturas ocultas e, em alguns casos, ultrassonografia abdominal para lesões viscerais.
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