SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Um motorista de 62 anos envolveu-se em um acidente automobilístico chocando-se contra um ônibus que trafegava em sentido contrário. Apresentava-se agitado, agressivo, com grave deformidade maxilofacial e sangramento ativo pelo nariz e boca. Os sinais vitais da admissão eram: FR = 38 irpm; PA = 100 x 50 mmHg; pulso = 123 bpm e SaO2 = 78%. No exame físico, o paciente apresentava boa expansibilidade torácica, murmúrio vesicular diminuído à direita e crepitações ósseas à palpação no mesmo lado. A conduta inicial mais adequada para melhorar a oxigenação e ventilação é:
Trauma maxilofacial grave + via aérea comprometida → cricotireoidostomia é a conduta de escolha.
Em pacientes com trauma maxilofacial grave, sangramento ativo e comprometimento da via aérea, a cricotireoidostomia é frequentemente a conduta mais segura e rápida para estabelecer uma via aérea definitiva, especialmente quando a intubação orotraqueal é difícil ou contraindicada.
O trauma maxilofacial grave representa um desafio significativo no manejo inicial do paciente traumatizado, principalmente devido ao risco iminente de comprometimento da via aérea. A deformidade anatômica, o sangramento ativo e o edema podem dificultar ou impossibilitar a intubação orotraqueal, exigindo uma abordagem rápida e decisiva para garantir a oxigenação e ventilação. A prioridade máxima, conforme o ATLS, é a avaliação e o manejo da via aérea. Em casos de trauma maxilofacial extenso com sangramento e agitação, a intubação orotraqueal pode ser extremamente difícil e demorada, aumentando o risco de hipóxia. Nesses cenários, a cricotireoidostomia de emergência é a técnica de escolha para estabelecer uma via aérea definitiva e segura. A cricotireoidostomia é um procedimento cirúrgico de emergência que cria uma abertura na membrana cricotireóidea para inserção de um tubo. É mais rápida e menos invasiva que a traqueostomia formal, sendo vital para salvar a vida do paciente quando outras opções de via aérea falham ou são inviáveis. Após o estabelecimento da via aérea, outras lesões, como o pneumotórax (sugerido por murmúrio vesicular diminuído), podem ser abordadas.
A cricotireoidostomia é indicada em situações de via aérea difícil ou impossível, especialmente em trauma maxilofacial grave, sangramento orofaríngeo maciço, edema de glote ou falha na intubação orotraqueal.
A cricotireoidostomia é mais rápida de ser realizada em situações de emergência, requer menos manipulação da coluna cervical e é menos afetada por deformidades faciais ou sangramento na orofaringe.
Sinais incluem estridor, respiração ruidosa, agitação, uso de musculatura acessória, cianose, sangramento ativo na boca/nariz, deformidade facial significativa e incapacidade de proteger a via aérea.
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